- Enquanto as transações de balcão geram maior volume, por lidarem com renda fixa, as negociações dos ativos listados são as mais vistosas, rendem recordes e é para onde o investidor olha na hora de ver se a Bolsa subiu. A compra e venda de ações se apoia em três sistemas, que também estão sendo atualizados, mas separadamente…
- … No de negociação, que registra as ordens, a infraestrutura está sendo simplificada e migrada para a nuvem de modo a permitir ampliar a capacidade de operação quando for preciso. A meta também é reduzir a latência –o tempo de resposta de uma ação é crucial para os HFTs (Negociadores de Alta Frequência, na sigla em inglês). Se era de 1,2 milissegundo, em 2023, caiu para os atuais 250 microssegundos. O objetivo é chegar a 150 microssegundos, um patamar internacional. Seguindo…
- … Na clearing, etapa de liquidação das transações (compras e vendas são “casadas” para obrigações serem cumpridas), a arquitetura está sendo trocada para ser baseada em microsserviços e rodar de forma nativa na nuvem. Mas isso tem sido feito aos poucos, e a primeira entrega foi a parte que gerencia o risco das transações na B3. No entanto…
- … A mudança mais radical é feita na central depositária de renda variável. Em parceria com a sueca Vermiculus, a B3 está migrando essa infraestrutura, onde as ações são armazenadas, para a DLT (Tecnologia de Registro Distribuído, na sigla em inglês). Guardadas as nuances técnicas, essa forma de manter registros distribuídos em rede é a tecnologia que sustenta o bitcoin e outros ativos criptográficos –no caso das moedas, pode chamar de blockchain. Na B3…
- … A adoção tem ocorrido em fases. Na primeira, concluída em janeiro, replicaram no DLT o que a plataforma atual faz. Na segunda, a blockchain alçará voo sozinha, enquanto a antiga fica de backup; Isso está programado para ocorrer em 2026. Na terceira e última, o sistema anterior é eliminado completamente.
Para Nardoni, a modernização, apoiada em parcerias com Oracle e Microsoft, é crucial para “potencializar o crescimento do mercado brasileiro”. De um lado, diz ele, a B3 se prepara para uma sofisticação e uma possível exigência de operar ininterruptamente, trazidas pela tokenização de ativos.
Imagina um mercado onde eu possa fazer num banco central a liquidação de ativos usando moedas digitais. Isso vai acontecer no ambiente DLT. Estou me preparando para quando essa onda chegar e oferecer novas soluções
Eu não sei se a stablecoin vai voar ainda ou se a tokenização de ação vai ser alguma coisa que faça sentido. Será que há outros mercados onde esse uso pode ser mais trivial? Por exemplo: será que, em real estate, a gente pode ter edificações tokenizadas dentro de uma DLT? Aqui eu tenho necessariamente mais perguntas do que respostas. Mas quero ter uma infraestrutura preparada para responder a tudo isso
Rodrigo Nardoni
De outro lado, a B3 se moderniza para se colocar em pé de igualdade com bolsas internacionais, como as do CME Group e da Eurex. Na prática, o objetivo é garantir que investidores qualificados, como os HFTs, tenham no país um ambiente de negociação equiparável ao de outras localidades. Sem essa preparação, o temor é que ocorra uma fuga desses players para bolsas mais preparadas para a altas demandas.
