13/02/2026

13 de fevereiro de 2026 11:49

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Bancos sobem após balanço. O que explica e o que esperar do setor?

Os bancões somam quase 7% do peso do Ibovespa – e têm sido uma força motriz respeitável do índice neste ano. Faz todo o sentido. Com exceção do Banco do Brasil, que viu o lucro recuar 45%, as instituições privadas – Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander – fecharam o ano passado com cofrinhos mais cheios na comparação anual.

O mercado leu os números com bons olhos. A avaliação é que o setor conseguiu navegar no ambiente de juros altos e manteve a eficiência operacional em dia. Resultado: várias casas revisaram suas recomendações, refletindo confiança na diversificação de receitas, operação e capacidade de geração de dividendos.

Mas cada banco tem suas nuances. Vamos a elas.

Banco do Brasil

O BB, que divulgou balanço na terça (11), teve lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões em 2025, bem abaixo dos R$ 37,9 bilhões de 2024. No quarto trimestre, porém, o lucro somou R$ 5,7 bilhões, 25% acima das projeções do mercado.

Há poréns. Parte do mercado vê o resultado como mais frágil: o balanço foi impulsionado por ganhos tributários pontuais, enquanto o lucro antes dos impostos (EBT) ficou 17% abaixo do esperado. Na prática, isso significa que o lucro “de verdade”, vindo da operação, foi mais fraco do que o número final sugere.

Tem outra: o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) foi de apenas 11,4%. Para entender melhor o ROE, pense no seguinte. Se um banco saudável decidir encerrar as operações, quitar o que tiver de dívida (como seus CDBs) e distribuir aos acionistas tudo o que acumulou, esse será o patrimônio líquido. O ROE é o tanto de dinheiro que o banco faz sobre esse montante, em termos percentuais.

O do BB, de 11,4%, significa que que a instituição gerou R$ 11,40 de lucro para cada R$ 100 de capital atribuído aos acionistas no trimestre. É pouco: considerado saudável para o setor é algo mais próximo de 15%.

Mesmo assim, a ação vive uma forte alta em 2026. Trata-se de um movimento de recuperação ante um 2025 ruim, com queda de 7,65%.

BTG Pactual

No dia 9, o BTG Pactual informou lucro de R$ 16,68 bilhões em 2025, alta de 35%. Só no quarto trimestre, foram R$ 4,59 bilhões. O desempenho foi puxado principalmente pelas áreas de negociação de ativos, assessoria em negócios, empréstimos para empresas e gestão de dinheiro de clientes. Tudo dentro do esperado.

O grande destaque foi o ROE: 26,9%, o maior entre os pares e de 2 a 3 pontos percentuais acima da média recente. Um nível particularmente saudável de eficiência.

Para o mercado, o banco parece ter atingido um novo patamar estrutural de rentabilidade, com retorno elevado sobre o capital mesmo em um ambiente mais desafiador.

A alta da ação no ano é relativamente modesta. Mas engana: nos últimos 12 a ação sobe estelares 85%.

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Bradesco

O Bradesco, que no fim do ano passado transformou Macaulay Culkin em garoto-propaganda, divulgou balanço no dia 6. O lucro em 2025 ficou em R$ 24,6 bilhões, alta de 25,5% sobre 2024. No último trimestre, foram R$ 6,5 bilhões.

No geral, os números vieram em linha com o esperado e o ROE de 14,8% é visto como saudável. Há espaço, segundo analistas, para superar projeções ao longo de 2026 por causa do plano de reestruturação em andamento do banco, com potencial de redução mais agressiva de custos.

Parte do mercado, porém, acha que poderia ser melhor. Isso porque a operação do setor está forte e há bancos entregando ROEs bem maiores, acima de 20% – e até perto de 30% no caso de instituições médias.

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Itaú

Maior banco privado do país, o Itaú reportou lucro de R$ 46,8 bilhões em 2025, alta de 31% sobre 2024. No quarto trimestre, foram R$ 12,3 bilhões. O resultado da empresa foi considerado sólido.

O ROE ficou em 23,4%, o segundo maior entre os pares. No ano passado rolou aumento de rentabilidade com expansão da base de clientes, maior diversificação de receitas e manutenção da qualidade da carteira de crédito, enquanto as despesas cresceram de forma moderada.

Analistas esperam demanda de crédito moderada ao longo de 2026, especialmente em alta renda, PMEs e grandes empresas – algo que tende a beneficiar o banco.

Santander

Como de costume, o Santander abriu a temporada de balanços, no dia 3. Encerrou 2025 com lucro de R$ 15,61 bilhões, alta de 17,4%. No quarto trimestre, os números vieram dentro do esperado. O ROE ficou em satisfatórios 17,6%.

Parte do mercado avaliou o resultado como positivo, puxado por cartões e crédito imobiliário. Mas nem todo mundo deu like.

Apesar do avanço anual, a qualidade do lucro do quarto trimestre foi considerada mais fraca: a alíquota efetiva de imposto ficou abaixo de 3% e ajudou a sustentar o resultado. Em outras palavras, o lucro parece melhor do que seria sem esse efeito. Margem e inadimplência também mostraram alguma piora.

O que esperar do setor em 2026? Vale investir agora?

Há expectativa de início de cortes na Selic ao longo do ano. Segundo o boletim Focus, o mercado projeta a taxa básica em torno de 12,25% ao fim do período. “Isso tende a beneficiar o crédito e o consumo bancário, desde que o ciclo seja gradual e acompanhado por inflação sob controle”, afirma Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.

Na avaliação dele, a principal tese para o setor segue sendo dividendos. A remuneração via proventos continua como um dos motivos mais consistentes para manter os grandes bancos em carteira. “Há um movimento mais defensivo de investidores, que buscam segurança e previsibilidade de caixa por meio de dividendos e juros sobre capital próprio”, diz.

Ainda assim, o cenário macro pede cautela. As projeções para o crescimento do PIB em 2026 seguem cercadas de incertezas, sobretudo por causa da demanda por crédito corporativo e investimentos. Esse ambiente pode trazer alguma volatilidade ao setor – mesmo com a perspectiva de juros mais baixos.

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