As incertezas e os fatores incontroláveis sempre fizeram parte das análises econômicas e das perspectivas da vida na Terra e de seus setores. No entanto, forças contraditórias e o imprevisto parecem ser marcas indeléveis da realidade. Isso levou o professor Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de Economia em 2002, a afirmar que “a economia é totalmente revestida de fatores da sorte e do acaso; não é uma ciência exata”.
No início de 2026, é relativamente fácil reverberar fatos negativos, como as decisões da China e do México de criar salvaguardas para seus setores internos, fixando tarifas sobre importações, e calcular friamente o quanto essas medidas podem impactar as exportações brasileiras. Contudo, existem muitos números que permanecem ocultos ou pouco percebidos nos radares dos analistas.
Além disso, surgem aspectos surpreendentes: quem poderia imaginar Nova York, a cidade mais importante dos Estados Unidos e do mundo, governada por um prefeito totalmente oposto ao presidente Donald Trump?
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São movimentos típicos da dinâmica entre tese, antítese e síntese. No agro brasileiro, há hoje um preparo consolidado e uma ampla abertura comercial com praticamente todas as nações do planeta. Soma-se a isso a competência reconhecida internacionalmente da ciência e da pesquisa tropical, com a Embrapa recebendo reconhecimento mundial.
Paralelamente, ganha força um movimento extraordinário de transição energética biorrenovável, a partir da incorporação de solos degradados à agricultura regenerativa, com a produção de etanol, biodiesel, SAF, biogás e biometano.
Recebi da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), do Estado de São Paulo, o Balanço Energético Nacional de 2025, que registra um dado expressivo: o Brasil apresentou 50% de sua oferta interna de energia proveniente de fontes renováveis. Em São Paulo, esse índice chegou a 59%. No mundo, os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) registraram apenas 13,2%.
Fontes hidráulicas, solares, eólicas, o biogás e os modelos originados de grãos e sistemas agroflorestais devem impulsionar de forma marcante uma nova matriz econômica dentro do agronegócio. Além de alimentos e fibras, o setor passa a oferecer também biocombustíveis.
No comércio internacional, mudanças são sempre uma constante. Ainda assim, a confiança, especialmente quando se trata de alimentação, tende a falar mais alto. Nesse ponto, o Brasil se consolida como um dos fornecedores mais confiáveis do mundo, por sua escala, qualidade e por ser uma nação formada pela convivência de povos de diferentes origens — uma civilização tropical única, como sempre destacou o sociólogo Domenico De Masi.
Ao final de 2026, fica a aposta: o complexo agroindustrial brasileiro deve crescer e terá na bioenergia uma alavanca fundamental para o seu desenvolvimento.

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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