A BR-163, historicamente apelidada de “rodovia da morte” em Mato Grosso do Sul, passará por mudanças estruturais nos próximos anos. Com a otimização do contrato de concessão, que passou a vigorar plenamente em agosto de 2025 sob gestão da Motiva Pantanal, um dos gargalos logísticos e de segurança deve ser solucionado: o anel viário de Campo Grande da BR-163 vai ganhar cerca de 25 quilômetros de pista dupla até 2030.
A série de reportagens “De Olho no Trânsito”, do MS1, traz um panorama da capital sul-mato-grossense: como está o deslocamento pelas ruas da cidade, os desafios da estrutura viária, a importância da educação, o comportamento e as boas iniciativas dos condutores.
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BR-163 – anel viário
Atualmente, cerca de 14 mil veículos trafegam diariamente pelo trecho de 25 quilômetros de pista simples que compõe o anel rodoviário de Campo Grande.
Esta via corta pelo menos oito bairros populosos e condomínios de luxo, gerando um conflito direto entre o tráfego pesado de longa distância e o fluxo urbano.
Os índices de periculosidade justificam a urgência das obras. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), compreendendo o período de 2023 a outubro de 2024, revelam que o anel rodoviário concentrou 17% dos acidentes (260 ocorrências) e 18% das mortes (22 vítimas) de toda a extensão da BR-163 no estado.
Duplicação e melhorias previstas
Embora estudos da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) tenham proposto um novo traçado de 37,8 km para retirar a BR-163 do perímetro urbano, a solução adotada na otimização do contrato de concessão foca na duplicação do traçado atual.
A ANTT sustenta que a duplicação dos 24,3 km existentes atenderá ao nível de serviço projetado para a rodovia.
Conforme o cronograma do Programa de Exploração Rodoviária (PER), a concessionária tem o compromisso de concluir a duplicação do anel viário (entre os km 466 e 490) até o 5º ano da otimização (2030). O plano inclui um conjunto de intervenções:
Principais intervenções no anel viário de Campo Grande – BR-163:
- Duplicação total: Do km 466,309 ao 490,670 (Ano 5) – anel viário de Campo Grande – e do km 490,670 ao 503,280 (Ano 6) – a partir da rotatória da avenida Cônsul Assaf Trad sentido Jaraguari.
- Rotatórias Alongadas: Localizadas nos km 466,4; 470,8; 475,9; 487,5 (Ano 5) e 490,7 (Ano 6).
- Dispositivos de Retorno: Implantação de retornos em “U” nos km 473,5 e 479,3, e retorno em “X” no km 478,3 (Ano 5).
- Interseções em Desnível: Melhoria do Trevo no km 481,9 e implantação de Interseção tipo Diamante no km 485,6 (Ano 5).
- Vias Marginais: Implantação no km 485,9 (sentido crescente) (Ano 5).
- Passarelas para Pedestres: Instalação nos km 487,5 e 491,0 (Ano 5).
- Obras de Arte Especiais (OAE): Implantação de estruturas nos km 477,2; 479,8; 485,6; 487,1 (Ano 5) e ampliação no km 493,3 (Ano 6).
No contrato da Rota da Celulose, que foi assinado em fevereiro de 2026, está prevista também a construção de um viaduto no entroncamento da MS-040 com a BR-163 em Campo Grande no 4º ano de concessão.
Início dos Investimentos
O processo de melhoria já foi iniciado. No primeiro ano da otimização (2025/2026), a concessionária destinou cerca de R$ 500 milhões para intervenções imediatas em todo o estado, incluindo a restauração do pavimento e sinalização no próprio anel viário de Campo Grande (entre os kms 468 e 484) e a duplicação de outros 5,6 km em trechos prioritários da rodovia.
Ao final do ciclo de obras, a BR-163/MS deverá contar com mais 203 km de pistas duplicadas e quase 148 km de faixas adicionais, em um investimento total previsto de R$ 16,5 bilhões ao longo do contrato.
Novo traçado do anel viário
Por outro lado, há um estudo técnico elaborado pela Planurb que propõe um novo traçado para o anel rodoviário de Campo Grande.
A proposta foi apresentada à concessionária CCR MSVia na época (hoje Motiva Pantanal) e à ANTT, mas não foi incluída na proposta de repactuação contratual autorizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 13 de novembro de 2024.
De acordo com o levantamento da Planurb, o novo contorno rodoviário teria 37,8 quilômetros de extensão, 12 quilômetros a mais que o traçado atual.
O projeto prevê a interligação das saídas para São Paulo e Cuiabá, com passagem pela BR-262, no acesso a Três Lagoas.
A área indicada para implantação do novo anel fica a cerca de oito quilômetros do contorno existente e a aproximadamente 3,5 quilômetros do perímetro urbano de Campo Grande.

Obras de manutenção no anel viário
A BR-163 terá interdições temporárias no anel viário de Campo Grande para a execução de obras de restauração do pavimento.
De acordo com a concessionária Motiva Pantanal, os serviços serão realizados entre os quilômetros 466 e 490 da BR-163/MS. As intervenções ocorrerão no período noturno, de segunda a sábado, das 20h às 5h, com duração estimada de duas semanas.
O cronograma prevê fresagem e recomposição do pavimento. A execução durante a noite foi definida para minimizar os impactos no tráfego. Durante os trabalhos, poderá haver operação no sistema “pare e siga”, com interdição alternada de faixas em ambos os sentidos da rodovia.
