06/02/2026

6 de fevereiro de 2026 18:38

Brasil considera negociar acordo parcial entre Mercosul e China

O Brasil avalia, pela primeira vez, propor um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, sinalizando uma mudança relevante em relação à política tradicional do país. Historicamente, o governo brasileiro vetou negociações formais com Pequim como forma de proteger setores industriais da concorrência chinesa.

No entanto, diante do realinhamento global provocado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e do avanço da China em acordos comerciais na América Latina, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a considerar a revisão dessa postura. O movimento ganhou força após a visita do presidente uruguaio, Yamandú Orsi, à China, quando ele e Xi Jinping manifestaram o desejo de iniciar negociações de livre comércio com o bloco “o mais rápido possível”.

A proposta em análise pelo Brasil não prevê um pacto amplo e imediato. A ideia é avançar com um acordo parcial, restrito a determinadas linhas tarifárias e a barreiras não tarifárias, como cotas de importação, normas sanitárias e procedimentos aduaneiros. O objetivo seria ampliar gradualmente o acesso ao mercado chinês, sem expor de forma abrupta a indústria nacional.

Autoridades brasileiras envolvidas nas discussões avaliam que essa estratégia reflete um “novo cenário global” e a necessidade de diversificar parceiros comerciais, sobretudo diante das tensões e das tarifas adotadas por Washington.

Apesar do interesse demonstrado por Brasília e Montevidéu, o avanço das negociações enfrenta entraves políticos dentro do próprio Mercosul. O Paraguai mantém relações diplomáticas com Taiwan, o que tradicionalmente dificulta tratativas formais com a China.

Ainda assim, o governo paraguaio, liderado por Santiago Peña, sinalizou disposição para negociar, desde que seja preservado o vínculo diplomático com Taipei. Mesmo com esse impasse, o país importou mais de US$ 6 bilhões da China em 2025, o que indica que a cooperação comercial segue avançando à margem das restrições diplomáticas.

A Argentina, sob a presidência de Javier Milei, surge como outro fator de incerteza. Com uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos e dependente de apoio financeiro de Washington, Buenos Aires pode adotar uma postura mais cautelosa em relação a um acordo liderado por Pequim.

Embora a China continue sendo uma compradora estratégica de produtos agrícolas argentinos e uma credora relevante, analistas avaliam que Milei tende a evitar um pacto explicitamente pró-China, que possa comprometer seus esforços para fortalecer os laços com os EUA.

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