23/02/2026

23 de fevereiro de 2026 12:39

Brasil mira mercado de carne bovina da Coreia do Sul e amplia agenda comercial em Seul

Foto: PR/ Ricardo Stuckert

O agronegócio brasileiro e a abertura do mercado de carne bovina estiveram no centro do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, realizado nesta segunda-feira (23), em Seul. Ao defender o avanço das relações comerciais entre os dois países, o presidente afirmou que o Brasil está pronto para cumprir os procedimentos sanitários necessários para exportar carne bovina aos sul-coreanos.

“O bulgogi, tradicional churrasco coreano, combina com uma carne de qualidade como a brasileira. Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano”, declarou Lula a uma plateia formada por autoridades e representantes de 230 empresas.

O evento reuniu lideranças empresariais e representantes de setores estratégicos, como tecnologia, alimentos, indústria farmacêutica, economia criativa, açúcar, álcool, agricultura e pecuária. Segundo Lula, o fórum simboliza o potencial de expansão das parcerias bilaterais.

Agronegócio como vitrine brasileira

Ao destacar a competitividade brasileira, Lula ressaltou o desempenho recente da agropecuária. “Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como o celeiro do mundo. Em 2025, tivemos a maior safra da história, com 350 milhões de toneladas de grãos. Somos uma potência agrícola e temos orgulho de contribuir para a segurança alimentar do planeta.”

O presidente também afirmou que a ampliação do comércio de proteínas pode estimular investimentos produtivos. Segundo ele, a presença brasileira no mercado coreano poderá abrir espaço para que empresas brasileiras ampliem operações no país asiático.

Diversificação e cenário global

Além do agronegócio, Lula defendeu a diversificação econômica como estratégia diante das incertezas globais e do avanço de políticas protecionistas. “A resiliência de um país, especialmente em tempos de turbulência global, depende da diversificação da sua base econômica e das suas relações comerciais. Vemos na República da Coreia um parceiro estratégico para atingir esses objetivos.”

O presidente citou a presença de multinacionais sul-coreanas no Brasil e destacou o volume de investimentos. “Empresas como Samsung, Hyundai e LG estão presentes em lares brasileiros. A Coreia já é o quarto maior investidor asiático no Brasil, com estoque de investimentos de nove bilhões de dólares.”

Minerais críticos e tecnologia

A cooperação em minerais estratégicos também foi apontada como oportunidade de integração produtiva. Lula destacou que o Brasil possui insumos relevantes para cadeias industriais ligadas à tecnologia e à transição energética, enquanto a Coreia do Sul ocupa posição de destaque na produção de semicondutores e baterias.

“Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro”, afirmou.

Saúde, vacinas e inovação

No setor farmacêutico, o presidente mencionou projetos de cooperação científica e tecnológica. Lula citou a construção do laboratório de biossegurança Órion, no Brasil, e defendeu parcerias para o desenvolvimento conjunto de vacinas e fármacos.

O presidente também destacou colaborações no setor aeroespacial, mencionando a atuação da empresa sul-coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara. Segundo Lula, o intercâmbio tecnológico pode fortalecer projetos conjuntos e ampliar a cooperação científica.

Comércio bilateral abaixo do potencial

De acordo com Lula, o fluxo comercial entre Brasil e Coreia do Sul, estimado em cerca de US$ 11 bilhões, ainda está abaixo do recorde histórico. O presidente defendeu maior integração produtiva, com foco em tecnologia, indústria e agricultura.

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