Acho que a maioria não vê problemas e acredita ser até bom para o jogador continuar agindo normalmente no seu trabalho. Mas também existem outras pessoas que acham que ele não deveria entrar em campo, com a alegação de que ninguém pode estar tranquilo e com a cabeça focada só no jogo, sem ter o medo de ser julgado, condenado e suspenso. Nesse caso, deveria entrar em ação um departamento psicológico, que sinceramente não sei quantos clubes têm e se o Flamengo tem.
Muitos treinadores mais velhos não gostam de ter a psicologia por perto porque se sentem capazes de resolver qualquer tipo de problema dos seus jogadores. Confundem as tarefas, achando que psicologia é saber motivar, gritar, mexer com o brio, incentivar; ou seja, não gostam de dividir o controle e se sentem psicólogos.
Antes da Copa de 2018, em uma coletiva do Tite, eu fiz a seguinte pergunta: “Tite, uma Copa do Mundo cria uma pressão enorme nos jogadores e despertam várias sensações, como a ansiedade, receio, insônia, medo de dar errado, de jogar mal. Você está levando na comissão uma psicóloga ou psicólogo?” Ele me respondeu assim: “Nós já trabalhamos no futebol há muito tempo e temos experiência suficiente para cuidar do lado emocional dos jogadores. Portanto, eu e minha comissão podemos cuidar do lado psicológico dos jogadores.”
Bom, eu defendo e sou totalmente a favor de ter um profissional da saúde mental no futebol, principalmente na seleção brasileira, e mais ainda em uma Copa do Mundo. Filipe Luís é jovem, tem a cabeça aberta, é inteligente e talvez tenha a mesma visão que eu sobre a importância da psicologia no futebol.
Nesse caso específico do Bruno Henrique, é óbvio que um apoio de um profissional da saúde mental seria imprescindível para ajudá-lo a colocar as ideias em ordem e, o mais importante, colocar suas dúvidas e seus medos para fora, tendo uma psicóloga que lhe dê outra visão sobre os fatos. Porque a gente às vezes não vê saída para algumas situações críticas, mas a psicóloga te passa confiança e te mostra que existem outros tipos de pensamentos, mesmo nas situações mais difíceis.
Eu sou daqueles que avaliaria dia a dia e ouviria a opinião da psicóloga depois de cada sessão de terapia, da mesma forma que os treinadores ouvem o fisiologista e o preparador físico. Ouvir não significa escalar ou não através da opinião desses profissionais, mas ter como avaliar o que seria melhor para o jogador e para o time.
