A luta contra o câncer é também uma luta por informação. No Brasil, o Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado em 27 de novembro, é um convite à conscientização sobre as diversas formas da doença que afetam a população feminina.
Embora o câncer de mama seja o mais conhecido, existem outros tipos igualmente importantes, como os de colo do útero, ovário, endométrio, vulva e vagina, todos com características, riscos e formas de prevenção próprios.
Câncer de mama: o mais frequente entre as mulheres
O câncer de mama é o tipo mais comum no público feminino e também o mais evitável quando diagnosticado precocemente. A mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento, recomendada a partir dos 40 anos.
Fatores como obesidade, sedentarismo, consumo de álcool, maior exposição aos hormônios femininos e histórico familiar aumentam o risco. A boa notícia é que o avanço dos tratamentos e o acompanhamento regular elevam as taxas de cura para mais de 90% nos casos identificados em fase inicial.
HPV e câncer de colo do útero: prevenção começa cedo
O câncer de colo do útero, que é a principal causa de morte entre mulheres com menos de 36 anos, pode ser praticamente eliminado com políticas eficazes de prevenção. Ele é causado principalmente pela infecção persistente pelo vírus HPV, que pode ser evitada com a vacina disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e grupos específicos, conforme a cartilha do Ministério da Saúde.
O exame de papanicolau continua essencial para detectar lesões precursoras antes que o câncer se desenvolva. Quando diagnosticado no início, o tratamento costuma ser altamente eficaz.
Outros tipos que exigem atenção
O câncer de ovário, embora menos frequente, é um dos mais desafiadores, pois costuma ser diagnosticado em estágios avançados devido à ausência de sintomas específicos. Inchaço abdominal, dor pélvica e sensação de empachamento persistente merecem investigação.
Já o câncer de endométrio, que acomete o revestimento interno do útero, tem como principal sinal o sangramento vaginal anormal, especialmente após a menopausa. Também merecem destaque os cânceres de vulva e vagina, mais raros, mas com incidência crescente, principalmente em mulheres idosas. Em muitos casos, estão
associados ao HPV e podem ser prevenidos com exames ginecológicos regulares.
Cuidar de si é um ato de amor e prevenção
Manter consultas periódicas com o ginecologista, realizar exames de rastreamento e adotar hábitos saudáveis são medidas simples, mas fundamentais para reduzir o risco de câncer. O diagnóstico precoce salva vidas e permite tratamentos menos agressivos, preservando a qualidade de vida das pacientes. Neste 27 de novembro, a mensagem é clara: informação, prevenção e cuidado contínuo são as melhores armas contra o câncer feminino.
*Texto escrito pela médica Larissa Müller Gomes (CRM/SP 180158 | RQE 78497), especialista em oncologista clínica e membro da Brazil Health
