O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse a jornalistas em uma coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (24), que o bloqueio naval dos EUA aos portos do Irã “está crescendo e se tornando global”.
“Ninguém navega do Estreito de Ormuz para qualquer lugar do mundo sem a permissão da Marinha dos Estados Unidos”, disse Hegseth.
Ele afirmou que outro porta-aviões se juntará ao bloqueio nos próximos dias.
Ao exaltar o sucesso do bloqueio, o secretário de Defesa destacou a apreensão, pelos EUA, de dois navios esta semana “na região do Indo-Pacífico, que haviam partido de portos iranianos antes da entrada em vigor do bloqueio”.
“Eles pensaram que tinham conseguido escapar a tempo. Não conseguiram”, disse Hegseth. “Apreendemos os navios sancionados deles e apreenderemos mais”, concluiu.
Bloqueio em Ormuz amplia pressão e custo político para Trump, diz Brustolin
A decisão de Donald Trump de manter o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz segue ampliando tensões com o Irã e gerando impactos políticos e econômicos dentro e fora dos Estados Unidos. A medida ocorre em paralelo à tentativa de sustentar uma trégua no conflito.
Trump anunciou a extensão do cessar-fogo com o Irã na noite de terça-feira (21), um dia antes do prazo expirar. Ele afirmou que a medida continuará até que Teerã apresente uma “proposta unificada” para encerrar o conflito permanentemente.
Para o professor de Relações Internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, a estratégia revela limitações políticas internas que restringem alternativas mais agressivas.
Segundo ele, sem o bloqueio, opções como incursões militares diretas, incluindo a ocupação de ilhas iranianas, estariam no radar, mas enfrentariam forte rejeição.
“Seriam medidas altamente impopulares. Trump não tem apoio para isso”, afirma. Nesse contexto, de acordo com Brustolin, o bloqueio surge como uma forma de pressão intermediária, ainda que carregada de riscos.
Brustolin também destaca que a condução da crise levanta questionamentos institucionais nos Estados Unidos. De acordo com ele, Trump recorreu ao artigo 2º da Constituição para justificar a ação militar, alegando ameaça iminente, sem consultar o Congresso.
