A China ampliou sua dominância como principal mercado do agronegócio brasileiro em 2025. Entre janeiro e outubro, o país asiático comprou US$ 48,18 bilhões em produtos agropecuários, o equivalente a 33,9% de tudo o que o Brasil exportou no período. O avanço representa mais de US$ 3 bilhões em relação ao acumulado do ano anterior e reforça o peso do mercado chinês para a economia nacional.
O crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelas vendas de soja em grãos. Com embarques maiores e colheita recorde, o Brasil conseguiu atender à demanda chinesa mesmo em meio à retomada gradual das compras americanas pelo país asiático. A oleaginosa segue como principal item da pauta bilateral e concentra, sozinha, quase 80% dos envios brasileiros à China. Além da soja, carnes bovina e suína também mantiveram ritmo de alta, e os produtos florestais permaneceram entre os itens mais comercializados no mês.
Os dados mostram que, apenas em outubro, a receita obtida com exportações ao país asiático cresceu 41,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, totalizando US$ 4,95 bilhões. O salto foi resultado do envio de 2,64 milhões de toneladas adicionais de soja, que compensaram a queda global dos preços internacionais. Mesmo setores que tiveram recuo em volume, como o de carnes, fecharam o mês com aumento no valor exportado.
Enquanto a China amplia compras, outros mercados tradicionais mostram retração. União Europeia, Rússia, Turquia, Egito, Bangladesh, México e Irã reduziram suas aquisições ao longo do ano, pressionados por fatores como estoques internos, variação cambial, inflação de alimentos e mudanças nos padrões de consumo. A perda de competitividade em alguns desses mercados e a dependência do comércio com a China reacendem o debate sobre os riscos de concentração.
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Apesar do desempenho chinês ser decisivo para manter o superávit comercial do agronegócio, ele também amplia a vulnerabilidade do Brasil a oscilações geopolíticas. O caso da soja mostra como alterações pontuais nas compras chinesas, como a retomada parcial das aquisições dos Estados Unidos, já foram suficientes para reduzir o preço médio da tonelada exportada pelo Brasil.
A China foi o país que mais contribuiu para o aumento das exportações brasileiras no ano, com mais de US$ 3 bilhões adicionais em vendas. A tendência é que a participação siga elevada, já que a demanda chinesa por grãos, proteínas e fibras continua em expansão e ainda sem capacidade interna para substituir integralmente as importações.
VGN AGRO
