21/04/2026

21 de abril de 2026 12:23

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Clima, demanda e guerra pesarão no agro do Brasil e EUA

O clima para da safra de grãos segue favorável nos Estados Unidos e para a segunda safra de milho no Brasil, devendo pesar na precificação do mercado futuro. Se qualquer evento climático fora do previsto acontecer, a tendência de alta nos preços na Bolsa de Chicago se instalará. De um lado, a safra americana precisa de regularidade das chuvas até junho para driblar os problemas de custo lavoura, enquanto no Brasil, o mercado acompanha para a possibilidade de um forte El Niño durante o terceiro trimestre deste ano e tentar contornar problemas macroeconômicos, avisam especialistas.

O relatório divulgado recentemente pelo NOAA (National Oceanic Atmospheric Administration) mostra alta probabilidade de 61% de formação de El Niño no período dos meses de maio a julho. No Brasil, isso significa mais chuvas na região sul e falta de chuvas no centro-oeste “Com isso, a bolsa de Chicago fica mais incerta e sensível a qualquer informação pois começa a se definir de fato a safra americana. Se o clima for um fator de queda para Chicago, isso afetará diretamente nos preços dos grãos brasileiros”, disse o analista da Royal Rural, Ronaldo Fernandes.

No caso da soja de verão, que deve ser plantada no segundo semestre, o regime de chuvas irá garantir se as projeções recordes se manterão. Para o milho safrinha, que está no campo, os mapas meteorológicos mostram chuvas acumuladas nos próximos 30 dias. O cenário é favorável para a umidade do solo e para o desenvolvimento da safra, mas por outro lado a chuva em excesso pode prejudicar o trabalho de campo e atrasar o ritmo de plantio.

Os riscos climáticos somados aos efeitos da guerra no Oriente Médio também aumentaram os custos da lavoura. No Brasil, produtor enfrenta dívidas, dificuldades de crédito e juro alto, calculando tudo.

Segundo Raphael Bulascoschi, analista de gerenciamento de risco da StoneX, acrescenta que, se o fenômeno El niño persistir até o final do ano, o ciclo de verão pode ter prejuízos. Isso em um ano de expectativas de supersafra. Um fator chave para uma previsão positiva, porém, é a ocorrência de chuvas no Rio Grande do Sul, estado onde a agropecuária padeceu nos últimos dois anos com adversidades climáticas. No Norte do país, a probabilidade de estiagem deve alterar calendários de colheita, por exemplo, da safra 2026/27, frisa Bulascoschi.

Na agricultura americana, o mercado tem demonstrado bastante preocupação com relação ao impacto no desenvolvimento do começo dos plantios de soja e milho, no Estados Unidos. o produtor entrou no plantio de primavera com insumos mais caros, e alguns ainda sequer compraram. “Qualquer atraso de plantio, somado a custo alto e ajuste de pacote tecnológico vira risco real para produtividade e área”, destacou Pedro Gomes, analista da Royal Rural.

Bulascoschi, por sua vez, destaca que qualquer previsão climática nova deve ser incluída na balança da cautela da agricultura, pois aparecerá na precificação dos grãos.

Na Bolsa de Chicago, a formação de preço do milho vai depender do ritmo das exportações do Brasil, a partir de julho, e, no Congresso americano, se discute liberar o E15 o ano inteiro por conta dos impactos da Guerra no Oriente, que tem elevado os preços. Se isso avançar, a demanda por etanol nos Estados Unidos será um fator forte de crescimento, e na prática, também ocorrerá um aumento de milho dentro do estado americano

O mercado também está atento à demanda, a divulgação do relatório mensal do NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos) divulgou que o volume de esmagamento de soja nos EUA ficou em 6,15 milhões de toneladas de soja em março, e a expectativa era de 6,2 milhões de toneladas. “Mesmo vindo menor do que a expectativa, esse foi o maior esmagamento de março dos últimos cinco anos. O NOPA mostrou que, mesmo abaixo do esperado, a demanda americana está muito forte. Esse volume é muita soja esmagada em março”, explicou Ronaldo Fernandes.

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