As mudanças climáticas têm provocado prejuízos cada vez maiores no campo, no Brasil e no mundo. Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que o número de secas, enchentes e outros eventos climáticos extremos no Brasil saltou de 639 para 6.772 entre 2003 e 2023, um aumento de 960%.
De acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), entre 2022 e 2024, os prejuízos causados por eventos climáticos no país somaram R$ 180 bilhões. Desse total, cerca de 50% ficaram concentrados no agronegócio.
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Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, a tendência é de agravamento desse cenário nos próximos anos. “Esses números não só podem continuar crescendo, como podem piorar”, alerta.
Segundo Müller, em 2025, as ondas de calor foram responsáveis pelos eventos mais letais no mundo. Na Europa, entre abril e junho, estimativas de serviços meteorológicos indicam entre 17 mil e 20 mil mortes associadas direta ou indiretamente ao calor extremo.
Países como Turquia registraram temperaturas de até 50,5 °C, enquanto Portugal, Espanha e Itália alcançaram máximas próximas de 46 °C. “Isso deve ocorrer com mais frequência nos próximos anos, porque quando essas ondas de calor vem, elas vêm com mais intensidade”, explica Müller.
De acordo com Müller, o aquecimento dos oceanos contribui para a intensificação desses fenômenos. Mesmo com a atuação do fenômeno La Niña, que trouxe algum alívio à América do Sul, não foi possível evitar ondas de calor registradas semanas atrás.
Müller destaca que eventos atípicos, como a atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) fora de sua área habitual, são reflexo de um efeito em cadeia no sistema climático. “Nunca é só um motivo. Vai continuar mais quente e a Terra vai continuar buscando o equilíbrio e ele vem na forma de extremos”, afirma.
O que esperar para o futuro
Projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que o planeta dificilmente conseguirá limitar o aquecimento a 1,5 °C. O cenário mais provável aponta para uma anomalia de até 3 °C até o fim do século, podendo chegar a 4 °C sem avanços em transição energética e sustentabilidade.
Dados da Organização Meteorológica Mundial apontam que nos próximos quatro anos, há 80% de chance de ter um ano tão quente quanto 2024. Segundo o meteorologista, temperaturas do ar acima de 43 °C podem elevar a temperatura do solo para até 60 °C, comprometendo o desenvolvimento de culturas como a soja.
O post Clima extremo gera R$ 180 bi em perdas; agronegócio concentra 50% dos danos apareceu primeiro em Canal Rural.