A Groenlândia tem ganhado os holofotes do mundo nos últimos anos por conta das ambições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ilha, considerada a maior do mundo.
Além de ser rica em minerais críticos, matéria-prima para a eletrificação de veículos e máquinas, a Casa Branca a considera estratégica para as ambições militares norte-americanas.
Habitada por cerca de 57 mil pessoas, aproximadamente 80% da Groenlândia é coberta por uma espessa camada de gelo, que ainda resiste mesmo com o aquecimento dos oceanos derivado das mudanças climáticas.
Algo que poucos se dão conta é que, mesmo em um ambiente de temperaturas tão baixas (variam de -35°C a, no máximo, 15°C) e terreno tão impróprio, há, sim, produção agrícola —ou, melhor dizendo, agropecuária — na ilha.
Contudo, basicamente só se cultiva e se criam animais no sul do território. Por lá, o carro-chefe é a pecuária de ovinos, com produção de forragem para o inverno. As plantações mais relevantes são de batata e nabo, além de repolho e outras hortaliças.
Além disso, também há registros de produção de cevada em pequena escala e de cultivos protegidos, como morangos em estufa. Tais culturas são possíveis porque o sul da Groenlândia tem verões mais longos, com menor quantidade de dias com termômetros no negativo.
Desafios à produção
A Groenlândia tem área “livre de gelo” relativamente restrita. Assim, os solos agrícolas são limitados, o que concentra a produção em poucas regiões aptas.
Além disso, a expansão da produção depende de infraestrutura, como armazenagem, energia, transporte, cadeia de suprimentos. Somado a isso, os custos de operação são elevados por conta do ambiente ártico, o que reduz competitividade.
Ambientalistas ainda reforçam que expandir agricultura em regiões tão frias pode gerar perdas de carbono do solo e impactos sobre biodiversidade, exigindo planejamento e salvaguardas.
Para a Groenlândia, o Brasil exporta basicamente produtos florestais, como madeira serrada e cortadas em folha. Em 2024, por exemplo, foram embarcadas 24,2 toneladas desses itens ao território, queda de 65% ante 2023.
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