25/02/2026

25 de fevereiro de 2026 07:58

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Com caixa reforçado e BTG como sócio, Eucatex prepara aquisições e novos produtos

Com caixa para investir em aquisições que possam adicionar produtos de maior valor agregado ao portfólio, a Eucatex tenta mostrar ao mercado que também tem sido uma das beneficiadas pelo ciclo recente da construção civil – e que tem capital para crescer mais.

Controlada pela família do ex-governador de São Paulo Paulo Maluf, a Eucatex prevê investir cerca de R$ 500 milhões em 2026 em projetos que incluem expansão florestal, modernização industrial e aquisições – um incremento de 40% sobre o capex do ano anterior.

Tradicional produtora de painéis de madeira, a Eucatex passou a ter o BTG Pactual como um de seus principais acionistas e prepara a ampliação dos investimentos apoiada em um balanço desalavancado e na expectativa de queda dos juros.

Desde 2020, a construção civil brasileira acumulou crescimento próximo de 25% em termos reais, com avanço de cerca de 2% em 2025, mantendo o nível de atividade elevado mesmo em um ambiente de juros altos, segundo estimativas do setor com base em dados do IBGE compilados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Presente tanto em obras novas quanto em reformas residenciais, a companhia atua em uma cadeia na qual as famílias têm peso relevante: cerca de 30% da atividade do setor e aproximadamente 47% da demanda por materiais vêm de obras de reforma e manutenção, segundo estudos setoriais da CBIC.

Sócio de peso

Parte dessa nova fase está associada à entrada do BTG Pactual como sócio relevante em 2023, passando a integrar o acordo de acionistas da Eucatex. O banco entrou no capital ao adquirir um bloco expressivo de ações, que estava ligado a processos judiciais envolvendo o ex-prefeito Paulo Maluf.

Segundo o Ministério Público, parte dos recursos desviados de obras públicas na Prefeitura de São Paulo entre 1993 e 1996, período em que Maluf comandou a cidade, foi enviada ao exterior e posteriormente retornou ao Brasil na forma de investimentos na própria Eucatex, em troca de ações.

Esses papéis ficaram nas mãos de fundos offshores que se tornaram acionistas da companhia. Após dois acordos de ressarcimento firmados com o Ministério Público e a Prefeitura de São Paulo – sem reconhecimento formal de culpa –, as offshores foram liquidadas judicialmente e a participação foi colocada à venda.

Foi nesse contexto que o BTG Pactual adquiriu o bloco de ações, desembolsando cerca de R$ 320 milhões ao todo, e passou a deter aproximadamente um terço do capital da Eucatex. Hoje, o banco controlado por André Esteves e sócios detém cerca de 33,4% do capital total e é o segundo maior acionista.

A família Maluf ainda controla o negócio, com aproximadamente 43,5% dos papéis – incluindo 98% das ações ordinárias, que garantem o poder de voto. A gestão segue nas mãos da família com Flávio Maluf, filho do ex-governador, que está no comando da empresa desde o fim dos anos 1990.

Flávio Maluf, CEO da Eucatex (Divulgação)

O vice-presidente executivo da Eucatex, José Antonio Goulart de Carvalho, diz que o BTG passou a ter papel relevante na aproximação da companhia com o mercado de capitais e na definição de metas de crescimento. O sócio do banco Alexandre Camara, da área de special situations, é o responsável por acompanhar a empresa.

“A presença do BTG trouxe uma visão mais orientada à comunicação com investidores. Nós sempre tivemos uma gestão sólida, mas nem sempre soubemos mostrar isso para o mercado financeiro”, afirma Carvalho, que está há quase 30 anos na companhia.

A nova postura, prossegue o vice-presidente, inclui uma preocupação maior em dar visibilidade aos resultados operacionais e à estratégia de crescimento, em um esforço para reduzir a distância entre o desempenho da companhia e a percepção dos investidores.

A presença do BTG também ajuda a abrir porta com gestores e outros investidores institucionais que possam participar de emissões de dívida da companhia ou até mesmo investir diretamente em ações da companhia.

Fundada em 1951, a Eucatex nasceu como fabricante de chapas de fibra de madeira e se consolidou ao longo das décadas como uma das principais produtoras brasileiras de painéis derivados de eucalipto. Em 1996, Paulo Maluf comprou as participações dos irmãos e consolidou o controle da empresa, que desde então permanece nas mãos dele e de seus filhos.

Hora de investir

Sergio Henrique Ribeiro, CFO da Eucatex, diz que a combinação de caixa disponível, de cerca de R$ 340 milhões, e baixa alavancagem financeira, de apenas 0,7 vez o resultado operacional (Ebitda), coloca a companhia em posição favorável para acelerar os planos de crescimento.

A expectativa de início de um ciclo de queda da taxa básica de juros a partir de março deve reforçar esse movimento, ao estimular tanto a demanda por materiais de construção quanto a viabilidade de novos projetos industriais. Os planos de expansão deverão vir acompanhados de incrementos no portfólio, afirma Carvalho, vice-presidente executivo.

Historicamente conhecida pela produção de chapas de fibra de eucalipto, MDF e MDP, a Eucatex pretende ampliar a participação de produtos de maior valor agregado, como aumentar a oferta de painéis já acabados e prontos para instalação, que possuem margens superiores às dos painéis tradicionais.

Complexo industrial da Eucatex em Salto (SP)
Complexo industrial da Eucatex em Salto (SP) (Divulgação)

Entre as apostas estão a expansão das linhas de painéis pintados e outros produtos semiacabados, segmento que a empresa vê como uma evolução natural do negócio tradicional de painéis. Outra aposta deverá vir na vertical de tintas e vernizes, como a adição de impermeabilizantes no portfólio. As potenciais aquisições ocorreriam no Brasil ou em algum mercado próximo, como a Argentina.

Um dos diferenciais da Eucatex, defende Carvalho, está no modelo verticalizado de produção, que permite reduzir custos ao longo da cadeia. Ao contrário de alguns concorrentes, a Eucatex controla praticamente todo o processo produtivo, desde o cultivo de florestas de eucalipto até a fabricação e a distribuição dos produtos finais.

A Eucatex possui cerca de 48 mil hectares de florestas próprias no Estado de São Paulo, que abastecem suas unidades industriais em Salto e Botucatu (SP) e em Cabo de Santo Agostinho (PE), reduzindo a exposição a oscilações de preços de matéria-prima.

A companhia também mantém estrutura própria de distribuição, incluindo uma subsidiária nos Estados Unidos responsável pela comercialização direta naquele mercado.

Esse modelo tem permitido à companhia ampliar as margens ao longo da cadeia e ajuda a explicar a melhora da rentabilidade. No balanço mais recente, referente ao terceiro trimestre de 2025, a Eucatex teve Ebitda recorrente de R$ 191,8 milhões, uma alta de 26,8% na comparação anual, com margem de 24%, um ganho de cerca de 4,5 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2024.

Exportações ganham peso

Outra frente considerada estratégica é a expansão da operação nos Estados Unidos, onde produtos semiacabados, de maior margem, têm mais demanda. A empresa mantém presença direta no país por meio da Eucatex North America, uma subsidiária de distribuição baseada na Flórida.

Nos últimos anos, as exportações ganharam relevância e já respondem por cerca de um quarto da receita da companhia. No balanço mais recente, as vendas para o exterior somaram R$ 189,8 milhões, de uma receita consolidada de R$ 798,3 milhões, com os Estados Unidos como principal destino.

O principal negócio continua sendo a venda de painéis de madeira destinados à indústria moveleira e à revenda, segmento que respondeu por cerca de R$ 290 milhões da receita trimestral. Já a área de construção civil, que inclui pisos laminados, portas, divisórias e tintas imobiliárias, gerou aproximadamente R$ 306 milhões no período.

Sergio Ribeiro, o CFO da Eucatex, afirma que, embora a operação americana tenha registrado crescimento consistente, ela foi afetada no passado pelo aumento das tarifas de importação sobre produtos brasileiros, com sobretaxa de 50% sobre os itens fabricados pela empresa, o que prejudicou sua expansão no mercado americano.

A empresa ainda analisa os impactos das mudanças mais recentes na política comercial dos Estados Unidos, após a Suprema Corte derrubar as tarifas, enquanto Donald Trump anunciou uma nova rodada de taxação.

Mesmo assim, a companhia enxerga o mercado americano como uma oportunidade relevante de expansão, tanto pelo tamanho quanto pelo perfil de consumo, marcado pela forte cultura do faça você mesmo (do-it-yourself, ou DIY).

Segundo a Eucatex, a operação americana deve encerrar 2025 com crescimento de cerca de 15% na receita, apesar do impacto das tarifas.

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