O mercado da soja iniciou o período sob pressão, refletindo fatores internacionais e domésticos. Durante o Outlook Forum do USDA, foi projetada expansão da área de soja na safra 2026/27, acima das expectativas do mercado. Segundo a plataforma Grão Direto, a sinalização de maior produção e estoques finais mais elevados reforçou o viés baixista nas cotações da Bolsa de Mercadorias de Chicago.
No Brasil, a semana pós-Carnaval teve ritmo reduzido de negócios, com agentes aguardando maior definição sobre os prêmios de exportação e uma avaliação mais precisa das perdas climáticas no Sul do Brasil e na Argentina. A valorização do real frente ao dólar, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro, também limitou a formação de preços mais atrativos ao exportador e manteve o mercado físico mais estável.
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O que fica no radar?
Nos próximos dias, o clima segue no radar. A previsão de chuvas acima da média no Sudeste e em partes do Centro-Oeste pode intensificar desafios logísticos, dificultando o avanço da colheita e o escoamento até os portos. Ao mesmo tempo, o calor e a seca em áreas do Sul exigem monitoramento atento para preservar o potencial das lavouras tardias. Caso se confirmem perdas produtivas, os prêmios nos portos de Rio Grande e Paranaguá podem encontrar suporte.
Logística
A logística doméstica também deve ganhar protagonismo. O pico de escoamento da safra recorde de soja, somado aos volumes remanescentes de milho, tende a pressionar os fretes e elevar custos de transporte. Parte desse encarecimento pode ser repassada ao produtor por meio de descontos no preço final recebido, reforçando a necessidade de estratégias de comercialização que permitam aproveitar oportunidades antes que o frete reduza a margem líquida.
Internacional
No cenário internacional, as atenções se voltam à China após o fim do Ano Lunar. Com importações projetadas em 112 milhões de toneladas em 2025/26 pelo USDA, uma eventual aceleração nas compras, seja para recomposição de estoques ou para se antecipar a possíveis tensões comerciais com os Estados Unidos, pode impulsionar as exportações brasileiras. O comportamento dos prêmios portuários, hoje estáveis, será um indicativo importante para avaliar possíveis reações na originação.
O ambiente macroeconômico também adiciona incerteza. No Brasil, o mercado acompanha o Relatório Focus do Banco Central e a divulgação do IPCA-15, indicadores que podem influenciar as expectativas para a trajetória da Selic e o comportamento do real frente ao dólar. Caso a prévia da inflação surpreenda para cima e reforce a manutenção de juros elevados, a moeda brasileira pode se fortalecer ainda mais, ampliando a pressão sobre os preços internos da soja.
Diante desse conjunto de fatores, a expectativa é de uma semana marcada por elevada volatilidade. Em Chicago, o viés permanece pressionado pela perspectiva de aumento de área nos EUA, enquanto, no Brasil, o câmbio e a logística tendem a manter os preços enfraquecidos, com possibilidade de encerramento do período em campo negativo.
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