Um médico americano infectado com Ebola está recebendo tratamento com anticorpos monoclonais na Alemanha, cerca de quatro dias após o primeiro teste positivo para o vírus.
O doutor Peter Stafford apresenta sintomas como febre, tontura, vertigem e náusea. Ele estava em um hospital na República Democrática do Congo quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou emergência de saúde pública no domingo (17).
Mas o que são os anticorpos monoclonais, usados para tratar doenças graves como o vírus Ebola?
Os anticorpos monoclonais (mAbs) são uma classe de profiláticos feitos a partir de diferentes tecnologias que identificam o sequenciamento genético de doenças infecciosas. Eles são, basicamente, cópias idênticas de um anticorpo criadas em laboratório, injetadas na corrente sanguínea.
O tratamento não oferece grandes efeitos colaterais e se destaca pela segurança, sobretudo no que diz respeito à precisão ao eliminar o agente infeccioso do organismo. Ele “marca” o vírus e ajuda os mecanismos de defesa do próprio corpo a combaterem a doença.
“Um anticorpo monoclonal existe quando a gente consegue em laboratório, por alguns métodos, cultivar uma célula produtora de um único anticorpo e reproduzi-lo em quantidades ilimitadas”, esclarece Ana Maria Moro, diretora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Imunobiológicos (CeRDI) e do Laboratório de Biofármacos do Instituto Butantan.
Diferente das vacinas, que são consideradas um tipo de imunização ativa, os anticorpos monoclonais são passivos: ensinam o corpo a produzir a própria defesa. Eles bloqueiam os receptores celulares que permitem que o vírus continue se multiplicando e são capazes de diminuir a carga viral em pouco tempo.
Além de doenças virais, o tratamento demonstrou grande eficácia contra doenças autoimunes como artrite reumatoide, esclerose múltipla, doença de Crohn e psoríase, além de cânceres. No Brasil, o Instituto Butantan é pioneiro no desenvolvimento dos anticorpos, conduzindo estudos de medicamentos já certificados para serem oferecidos como tratamento no SUS (Sistema Único de Saúde).
