Anunciado como novo reforço do Corinthians, Gabriel Paulista está de volta ao Brasil após 16 anos. E a decisão tomada após deixar o Besiktas, da Turquia, não é mera coincidência para o zagueiro, que tinha no Timão uma verdadeira meta de vida – além, claro, de tê-lo como clube do coração.
Revelado pelo Vitória, o zagueiro de 35 anos é natural da capital de São Paulo. Caçula de cinco irmãos, Gabriel não teve uma infância fácil e foi mais um jovem que saiu da periferia com o sonho de ser jogador profissional. E tudo por conta de um desejo não cumprido pelo irmão.
Torcedor do Corinthians, o irmão, que inclusive foi membro da principal torcida organizada do clube, se despediu da vida muito cedo, com apenas 21 anos. O seu maior sonho? Ser jogador, algo que Gabriel cumpriu, após receber uma chance no Taboão da Serra, à época recém-comprado por um dos amigos do irmão, que deu uma oportunidade para o agora reforço de peso do Timão iniciar a trajetória nos gramados.
Em entrevista a André Hernan, em 2025, quando ainda estava na Turquia, Gabriel Paulista abriu o coração e falou sobre a meta de vida que cumpriria com uma possível ida para o Corinthians. E que, agora, pode dizer que é uma realidade.
“Eu tenho um sonho, eu já falei para todo mundo, todo mundo sabe, o meu sonho é voltar ao Brasil e jogar no Corinthians. Esse é o meu sonho. Entram questões familiares, a minha infância, eu torci pelo Corinthians pelo fato do meu irmão, ele era da Gaviões (da Fiel), acabou entrando para o ‘outro mundo’ e falecendo. Eu tenho isso comigo”, disse.
“Ele também tentou ser jogador de futebol e não conseguiu, e eu sempre falo para a minha família: eu realizei o sonho dele. Essa é a minha vontade, um dia voltar para o Brasil e vestir o manto do Coringão.”
E o novo “xerife” da zaga alvinegra também já conhece alguns dos seus ex-companheiros, entre eles Memphis Depay, com quem jogou no Atlético de Madrid e não esconde a admiração.
Antes mesmo de conquistar o Paulistão e a Copa do Brasil na última temporada, Gabriel fez uma “previsão” sobre a passagem do holandês pelo Parque São Jorge, afirmando que ela seria com títulos.
“Ele é diferenciado, é craque. Tive a oportunidade de estar com ele no Atlético (de Madrid), e sempre falo que ele jogou futsal com certeza. O que ele faz com a bola, às vezes no treino reduzido, no pivô, esquece. Ele é muito bom, sabe proteger bem a bola, e a bola no pé cola, ele é diferente. Acredito que tem muito ainda que ele possa fazer no Corinthians, vai crescer cada vez mais”, elogiou o holandês.
“Já está nas graças do torcedor, e vai ganhar muitos títulos com a camisa do Corinthians, é o que eu desejo e torço. É um cara espetacular. À parte de ser um craque dentro de campo, também é fora, o que ele faz pelas pessoas, o comportamento dele, independentemente de quem seja, do presidente a quem corta a grama, trata todo mundo igual, não tem diferença com ninguém. Isso aí é o que ganha a pessoa, é o mais importante, o caráter da pessoa, o respeito que a pessoa tem pelo outro.”
Depois do Taboão da Serra, o zagueiro foi para a base do Vitória. Após cinco temporadas no profissional do time baiano, Gabriel foi negociado com o Villarreal e deu início à trajetória na Europa, que também teve Arsenal, Valencia e Atlético.
O defensor ainda foi convocado para a seleção brasileira em 2015 e se naturalizou espanhol, mas não chegou a defender a Fúria.