A escalada do conflito no Oriente Médio, após os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã neste sábado (28), acende um alerta para o agronegócio brasileiro. A instabilidade na região pode provocar alta nos preços do petróleo, dos fertilizantes e do frete internacional, pressionando ainda mais os custos de produção no campo.
Antes mesmo do agravamento das tensões militares, os preços dos fertilizantes já vinham subindo. Segundo relatório da StoneX, na última semana de janeiro a ureia nos portos brasileiros estava cerca de 10% mais cara do que no mesmo período de 2025. Já o superfosfato simples (SSP) e o cloreto de potássio (KCl) acumulavam alta próxima de 20% na comparação anual.
De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o movimento não é exclusivo do Brasil. A valorização é observada em diferentes mercados, influenciada por fatores sazonais e geopolíticos.
“O Oriente Médio é uma região estratégica para os nitrogenados. Qualquer instabilidade tende a gerar volatilidade e reforçar o viés de alta”, destaca o analista.
Petróleo
O principal canal de impacto é o petróleo. O aumento da presença militar na região, incluindo movimentações no entorno do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da energia mundial , eleva o chamado “prêmio de risco” no mercado internacional.
Se o petróleo sobe, os combustíveis encarecem. E isso tem efeito direto sobre:
- custo do diesel nas propriedades rurais
- frete marítimo e transporte interno
- produção de fertilizantes nitrogenados, ligados ao gás natural
A ureia, por exemplo, tem seu custo fortemente atrelado ao gás natural. Um eventual conflito mais amplo no Golfo Pérsico pode elevar o preço da matéria-prima mesmo sem interrupção total das rotas comerciais, basta a insegurança para pressionar as cotações.
Brasil paga a conta mesmo fora do conflito
Para a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a tensão no Oriente Médio tende a elevar os prêmios de risco geopolítico, afetando combustíveis e fretes marítimos.
O agro brasileiro, que depende fortemente de insumos importados, pode sofrer o rapidamente o impacto. Em um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e margens apertadas, um novo choque nos fertilizantes aumenta o custo por hectare e pressiona a rentabilidade do produtor.
Além disso, outros fatores globais já vinham sustentando os preços:
- retomada da demanda nos EUA para a safra de primavera;
- possíveis restrições nas exportações chinesas de fertilizantes;
- expectativa de novas compras por parte da Índia.
Com a tensão militar envolvendo EUA, Israel e Irã, o risco geopolítico se soma a esse cenário já apertado.
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