03/03/2026

3 de março de 2026 19:48

Conflito no Irã pressiona petróleo e deve encarecer fretes no pico da safra no Brasil

NORTÃO MT

O escoamento da safra de soja já enfrentava custos elevados de frete em 2026, principalmente devido a problemas logísticos no acesso aos portos do Arco Norte, via Miritituba (PA). Agora, a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã adiciona um novo fator de pressão: a alta do petróleo no mercado internacional.

Com os ataques iniciados no último sábado (28/2), o barril do tipo Brent chegou a subir cerca de 10%, ultrapassando os US$ 82 na manhã de segunda-feira (2/3). A valorização acende o alerta para reajustes no diesel no mercado interno, combustível que representa entre 35% e 50% do custo total do frete rodoviário no Brasil.

Segundo Fernando Bastiani, pesquisador da Esalq-Log, o aumento do petróleo pode resultar em elevação do preço do diesel, encarecendo o transporte e os custos de produção no campo. A pressão ocorre justamente no pico da demanda logística, com a colheita e o escoamento da soja.

Repasse pode ocorrer em dias

O CEO e cofundador da Binatural, André Lavor, destaca que tensões em regiões produtoras de petróleo costumam provocar reação imediata nas cotações globais. Em um país que ainda depende parcialmente da importação de combustíveis, como o Brasil, a volatilidade internacional tende a ser rapidamente repassada às distribuidoras e transportadoras.

“O repasse pode começar a ser sentido em dias, especialmente em períodos de maior demanda logística”, afirma.

O diretor da Macroinfra Consultores, Olivier Girard, pondera que a velocidade do reajuste dependerá também da política de preços da Petrobras, que passa pelo crivo do governo federal. Segundo ele, o reflexo direto no frete pode ser percebido em até duas semanas, prazo estimado para que a cadeia absorva o impacto.

Estreito de Ormuz no radar

Outro ponto crítico é o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e derivados. Qualquer restrição na passagem pode reduzir a oferta e pressionar ainda mais os preços internacionais.

Empresas de logística marítima já anunciaram suspensão de operações na região e a aplicação de sobretaxas de guerra, elevando também os custos do frete marítimo.

Com o transporte rodoviário sendo a espinha dorsal do escoamento de grãos no Brasil, a combinação entre safra recorde, gargalos logísticos e alta no diesel pode apertar ainda mais as margens do produtor e influenciar o preço final dos alimentos nas próximas semanas.

NORTÃO MT

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