O mercado internacional de fertilizantes ficou em alerta após a eclosão de um novo conflito no Oriente Médio, com incertezas em relação à oferta global, trazendo pressão aos valores de nitrogenados e fosfatados.
Segundo a StoneX, em 2024 a região foi responsável por 41% das exportações mundiais de ureia, 28% das vendas globais de amônia e 29% da comercialização internacional de Fosfato Diamônico (DAP).
Diante desse peso relevante no comércio global, a consultoria aponta que eventuais disrupções na produção ou no escoamento de cargas impactam diretamente os fluxos comerciais e tendem a influenciar os preços praticados no mercado internacional.
“Neste momento, os investidores ainda avaliam os possíveis desdobramentos do conflito, o que mantém elevada a incerteza sobre os impactos imediatos na formação de preços. No entanto, já há sinais claros de cautela: fornecedores da região retiraram ofertas do mercado enquanto aguardam maior clareza sobre a evolução do cenário geopolítico. O primeiro reflexo observado, portanto, é a redução temporária da oferta disponível”, destaca a consultoria.
Logística comprometida
A StoneX também chama atenção para a logística, uma vez que navios têm evitado trafegar pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica para o escoamento de fertilizantes do Oriente Médio. Isso porque o aumento do risco na região pode gerar atrasos nas entregas e encarecer os custos logísticos, afetando importadores em diferentes partes do mundo.
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A consultoria avalia que outro ingrediente entra na equação: a valorização do petróleo decorrente das tensões geopolíticas, que pode pressionar os custos de combustíveis e, consequentemente, os fretes internacionais. “Para países importadores líquidos de fertilizantes, como o Brasil, isso representa um fator adicional de alta, ao encarecer o custo final dos insumos”, destaca.
Força iraniana no mercado de fertilizantes
O Irã, no centro do conflito, ocupa posição estratégica no mercado global de nitrogenados. Em 2024, o país respondeu por 11% das exportações mundiais de ureia e por 5% das vendas globais de amônia.
A StoneX salienta que fontes não oficiais dizem que o país teria exportado cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia ao Brasil em 2024, o equivalente a aproximadamente 16% das importações brasileiras do produto.
“Caso haja um estrangulamento da capacidade exportadora iraniana, o impacto tende a ser relevante para compradores globais e, em especial, para o Brasil, altamente dependente de importações para suprir sua demanda por nitrogenados”, avalia a consultoria.
Por outro lado, o momento do calendário reduz parcialmente os efeitos imediatos sobre o mercado brasileiro, que já se encontra fora da alta temporada de compras de nitrogenados. Assim, países como Estados Unidos, Austrália e possivelmente parte da Europa, que atravessam períodos de maior demanda, podem sentir impactos mais diretos no curto prazo.
De todo modo, considerando a relevância do Oriente Médio e do Irã para a produção e exportação global de fertilizantes, o conflito é tratado pelo mercado como um fator altista, com potencial para alterar o cenário do setor nas próximas semanas.
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