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19 de fevereiro de 2026 03:25

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Consolidado na direita, Flávio Bolsonaro trava batalha de rejeição com Lula, aponta Genial/Quaest

A pesquisa presidencial mais recente da Genial/Quaest revela a ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL) como o principal nome da direita em contraposição à reeleição de Lula (PT) nas eleições que ocorrerão em outubro. Após dois meses de sua escolha por Jair Bolsonaro, Flávio se mostra como o candidato mais competitivo em relação ao petista nas projeções de intenção de voto.

Outro dado relevante é que Flávio Bolsonaro polariza com Lula na disputa pela menor rejeição entre os eleitores: 55% dos entrevistados rejeitam o candidato do PL, enquanto Lula enfrenta 54% de rejeição, de acordo com a percepção popular em fevereiro, também conforme o levantamento da Quaest.

Especialistas em sondagens eleitorais, consultados pela Gazeta do Povo, consideram esse indicador um aspecto decisivo para a vitória no pleito, especialmente em cenários de polarização, que tendem a ser acentuados no segundo turno.

Contexto da corrida eleitoral

A estrutura do eleitorado lulista e o apoio à família Bolsonaro mostram uma baixa margem de possibilidade para uma “terceira via”, conforme os dados da pesquisa. Nenhum dos pré-candidatos que se apresentam como alternativa alcança 10% de intenções de voto no primeiro turno. Lula oscila entre 35% e 39% na liderança em sete cenários, enquanto Flávio varia de 29% a 33% nas preferências, conforme a percepção atual, a oito meses da votação.

Esse levantamento realizado em fevereiro é o primeiro da Quaest após a adesão do governador goiano Ronaldo Caiado ao PSD, partido que abriga governadores como Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), formando um trio de presidenciáveis. No entanto, a estratégia de Gilberto Kassab aparentemente não trouxe resultados imediatos, indicando a continuidade do mesmo cenário observado nas eleições de 2018 e 2022.

Uma novidade na pesquisa é a exclusão do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) dos cenários estimulados. Ele declarou apoio a Flávio e deverá concorrer à reeleição em São Paulo.

A análise dos dados aponta que o índice de rejeição será crucial em um possível segundo turno. No cenário simulado para essa disputa, Lula venceria Flávio por 43% a 38%, segundo a pesquisa divulgada neste mês, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais.

Assim, a diferença entre os dois candidatos tem diminuído: em dezembro, a vantagem de Lula era de 10 pontos percentuais, com 46% contra 36% para Flávio no segundo turno.

Flávio Bolsonaro e a busca por apoio

Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião e Política da Quaest, observou que a pesquisa indica um aumento do reconhecimento de Flávio Bolsonaro entre os brasileiros nos recentes meses, desde sua seleção como pré-candidato à Presidência pelo PL. O percentual de entrevistados que afirmaram conhecê-lo e que votariam nele saltou de 28% para 36%, enquanto a rejeição caiu de 60% para 55% quando comparadas as sondagens de dezembro e fevereiro.

Além disso, 12% dos entrevistados não conheciam Flávio no final do ano passado, número que agora caiu para 9%. “Isso demonstra que a direita é bastante competitiva, especialmente em um segundo turno, onde a escolha tende a se basear mais na rejeição do que na capacidade de conseguir a maioria do eleitorado”, destacou o diretor da Quaest.

No grupo considerado como “direita não bolsonarista”, Flávio possui o maior potencial de voto, com 72%, e um dos menores índices de rejeição, de 22%, ficando atrás apenas de Renan Santos (Missão). Russo acredita que Flávio pode ampliar sua influência dentro do espectro político ainda para a disputa de primeiro turno, além de atrair votos dos eleitores que se identificam mais com a direita no segundo turno.

O sobrenome Bolsonaro traz tanto vantagens quanto desvantagens para Flávio, como evidenciado pela rápida repercussão do anúncio de sua pré-candidatura, que foi conhecido por 61% da população. Russo comparou esse nível de reconhecimento a acontecimentos de grande relevância, como a tarifa de importação de Donald Trump ao Brasil.

“Não é comum pesquisas registrarem essa proporção de conhecimento espontâneo sobre uma notícia. Isso indica como o movimento foi rapidamente absorvido. O sobrenome proporciona um caminho mais breve para o reconhecimento, mas também aliado a uma rejeição. Esse fator já faz parte do cálculo político”, comentou Russo.

Flávio muda a estratégia para reduzir rejeição

Cila Schulman, diretora-executiva do instituto de pesquisa Ideia, afirma que a abordagem mais moderada de Flávio Bolsonaro, ao se posicionar como pré-candidato, é uma estratégia para diminuir a rejeição e se afirmar como o principal nome da direita. Essa tática também poderá auxiliar Flávio a conquistar apoio político para formar alianças com partidos de centro.

A última pesquisa Meio/Ideia mostra um empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno, dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Lula, segundo o cenário estimulado, lidera com 45,8% contra 41,1% do pré-candidato do PL. Além disso, Lula é a figura mais rejeitada por 44% dos entrevistados, enquanto Flávio é rejeitado por 34%. Schulman ressalta que modificar a rejeição é um desafio difícil e que os eleitores indecisos se tornam o foco dos candidatos à Presidência.

“É mais complicado converter um eleitor que rejeita um candidato do que conquistar um indeciso. Contudo, o número de indecisos vem diminuindo, proporcionando um mercado de votos cada vez mais restrito”, destacou. Ela acrescentou que o candidato de oposição à esquerda precisará apresentar algo mais substancial do que simplesmente “tirar o PT” para vencer Lula no segundo turno. “A eleição se definirá por cerca de 3% do eleitorado que não é polarizado — em sua maioria, mulheres, moradoras de periferias e de áreas periféricas das grandes cidades. Esse eleitor votará buscando melhorias concretas na vida, e não por ideologia”, projetou.

O impacto do “antipetismo de chegada”

Schulman também lembrou que a rejeição a Lula é atribuída à sua trajetória, que inclui participação em sete eleições presidenciais desde a redemocratização e, nas outras três, como o principal cabo eleitoral para candidatos do PT. Flávio, por sua vez, carrega a rejeição ligada ao sobrenome, ao mesmo tempo que colhe votos, com a possibilidade de se apresentar durante a campanha para conquistar o eleitor que rejeita o ex-presidente Bolsonaro.

Metodologia das pesquisas citadas:

  • A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 5 e 9 de fevereiro sobre a intenção de voto a presidente. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-00249/2026.
  • O instituto Ideia entrevistou 1.500 eleitores entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026. A pesquisa foi encomendada pelo Canal Meio S.A. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais. O nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-08425/2026.



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