No dia 19 de maio é celebrado o Dia do Orgulho Agênero. A primeira vez que a celebração aconteceu foi no ano de 2017, após uma pessoa residente em Oregon, nos EUA, ter sido legalmente reconhecida como agênero. A data foi pensada por pessoas da comunidade que perceberam a exclusão desse segmento.
Datas simbólicas costumam produzir a curiosidade em se olhar para pessoas e experiências que parecem invisíveis. A reflexão é um convite político e ético sobre as estruturas que definem quem pode existir com reconhecimento, dignidade e pertencimento.
A existência agênero produz uma interrogação profunda. Pessoas agênero não se reconhecem dentro das categorias tradicionais de gênero ou não percebem a própria identidade vinculada a essas classificações. É um desafio à uma estrutura social fundada em uma lógica aparentemente simples, e historicamente violenta. Não há necessidade de “caber” em classificações rígidas e definitivas.
Por qual motivo a sociedade insiste tanto em definir as pessoas por categorias fixas? Há algo de profundamente disciplinador nesse desejo de nomear, enquadrar e organizar identidades. Durante séculos, instituições políticas, religiosas, jurídicas e culturais estabeleceram modelos considerados legítimos de existência. O que escapava a eles era frequentemente tratado como erro, desvio ou anormalidade.
O desejo de classificar não é neutro. Nomear também significa disciplinar. Categorizar pode significar…