20/04/2026

20 de abril de 2026 19:06

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Dólar à vista fecha estável com alívio externo | Finanças

O dólar à vista encerrou próximo da estabilidade frente ao real nesta quinta-feira, em meio ao alívio na percepção de risco global com a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz. Além da moeda americana, o euro também atingiu o menor patamar desde 18 de fevereiro de 2025, quando chegou a R$ 5,9409, após o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmar que o país elabora um protocolo com Omã para monitorar o tráfego na rota marítima, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Encerradas as negociações desta quinta-feira, o dólar à vista ficou estável (+0,05%), cotado a R$ 5,1594, após tocar a mínima de R$ 5,1394 e a máxima de R$ 5,1944. Na semana, o dólar comercial acumula queda de 1,56%. Já o euro comercial recuou 0,36%, a R$ 5,9509. Perto das 17h10, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,39%, aos 100,041 pontos.

As declarações da autoridade iraniana, divulgadas pela agência estatal IRNA, provocaram uma descompressão nos ativos de risco, embora o petróleo do tipo Brent tenha subido mais de 7%, a US$ 109,03 por barril, e o WTI tenha encerrado em alta superior a 11%, a US$ 111,54 por barril.

Gharibabadi afirmou que o tráfego de embarcações pelo estreito deve ocorrer sob supervisão e coordenação do Irã e de Omã. “Naturalmente, esses requisitos não constituem restrições, mas têm como objetivo facilitar e garantir a passagem segura, além de oferecer melhores serviços aos navios que transitam por essa rota”, disse à IRNA.

Mais cedo, os mercados locais já exibiam resiliência em relação a pares latino-americanos e emergentes nesta quinta-feira. O câmbio, inclusive, foi o ativo menos afetado entre os domésticos.

A queda do euro ao menor nível em mais de um ano frente ao real reflete a combinação de dois movimentos distintos no câmbio, explica o diretor de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt. De um lado, houve desvalorização da moeda europeia frente ao dólar, que saiu de cerca de 1,20 euros em janeiro para 1,1535 atualmente, uma queda próxima de 4%.

Por outro, o próprio dólar também perdeu força frente ao real, recuando de R$ 5,39 para R$ 5,15 no mesmo período, também cerca de 4%. “São dois componentes para essa cotação do EUR/BRL: o euro contra o dólar e o dólar contra o real”, afirma. Como resultado, o EUR/BRL acumulou uma queda mais intensa, de cerca de 8%, passando de R$ 6,468 para R$ 5,9461.

Esse movimento ocorre em meio a dinâmicas distintas entre as moedas. Em geral, o dólar tende a se valorizar em momentos de aversão ao risco, como no atual cenário de tensões envolvendo o Irã, mas, neste episódio, o real tem mostrado força relativa.

“O Brasil é visto como relativamente beneficiado ou menos exposto ao conflito, por ser produtor de etanol, ter excedente de petróleo e estar distante da região afetada, o que ajuda a sustentar a moeda brasileira mesmo em um ambiente externo mais adverso”, destaca Weigt.

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