O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real, em um movimento mais tímido se comparado ao que foi observado em outros mercados mais líquidos. Hoje a moeda americana perdeu força contra as principais divisas por causa do alívio no risco global e da menor pressão nos preços do petróleo, que despencaram perto de 10%.
Tudo isso ocorreu após a reabertura do Estreito de Ormuz, com os Estados Unidos falando sobre o fim da guerra no Oriente Médio e sobre a suspensão do programa nuclear iraniano. A dinâmica mais tímida no Brasil, segundo operadores, pode se explicar pelo fato de os preços do petróleo não darem mais o suporte que vinham dando ao real. Não à toa, outras moedas mais sensíveis à commodity também registraram um desempenho mais fraco no dia.
Encerradas as negociações de hoje, o dólar à vista registrou queda de 0,19%, cotado a R$ 4,9833, o menor patamar desde 27 de março de 2024, quando a moeda americana fechou cotada a R$ 5,9787. Na semana, o dólar caiu 0,56%. Hoje o dólar encostou na mínima de R$ 4,9502 e bateu na máxima de R$ 4,9920. Já o euro comercial recuou 0,30%, a R$ 5,8642.
No exterior, perto das 17h10, o dólar caía 0,85% ante o florim húngaro, 0,70% frente ao rand sul-africano e 0,86% ante o won sul-coreano. Já o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, oscilava -0,02%, aos 98,195 pontos.
Desde o começo do pregão de hoje, o dólar perdeu força frente ao real. O movimento chegou a ganhar magnitude após a notícia de reabertura do Estreito de Ormuz. A queda brusca dos preços do petróleo, no entanto, levou a uma recalibragem na força do câmbio brasileiro, que vinha se beneficiando da alta da commodity. Assim, ao longo da manhã, o dólar foi recuperando terreno, chegando a operar perto da estabilidade. O viés de queda acabou, de toda forma, predominando.
O executivo da área de produtos de renda fixa, moedas e commodities para clientes corporativos do Scotiabank Brasil, Hiroshi Ogawa, diz que, mais do que fundamentos, os agentes do mercado estão se orientando hoje pelas notícias sobre o Oriente Médio, em especial sobre o Estreito de Ormuz. “É isso que está predominando hoje. Vimos os preços das commodities de energia caindo com intensidade, ainda que não tenham voltado para níveis pré-conflito”, diz.
Ainda que, por enquanto, nesta sessão, o real tenha ficado aquém dos pares emergentes, no médio prazo e nas próximas sessões a moeda brasileira pode voltar a atrair a atenção dos investidores globais, avalia Ogawa. “Ao olhar para o fluxo é interessante avaliar a bolsa. Vemos que, nem mesmo no pior momento de risco durante a guerra, ali em março, o fluxo estrangeiro deixou o país. Então, me parece que, se o interesse não desapareceu naquele momento, tende a se manter depois de passado o conflito.”
Ainda na leitura do executivo, a chance de uma alternância na condução da política econômica, em especial no cuidado com a dívida pública, atrelada a uma economia ainda forte, faz com que os investidores olhem para o Brasil com mais atenção. “As contas do lado privado, se continuarem fortes, com a persistência do nível mais alto de preços de commodities, teremos uma arrecadação melhor, com PIB também melhor. Isso costuma trazer investimento para cá, porque nossos clientes em potencial acabam olhando com interesse, seja para aumentar investimento no país, seja para garantir o suprimento de petróleo e minério.”
