
Mas, atenção, ainda que em ritmo bem menor, também é visível que a atividade continuou crescendo. É preciso também considerar que o novo avanço ocorreu sobre uma base mais alta, representada pela expansão forte do primeiro trimestre. Isso se confirma quando se mede, por exemplo, a alta acumulada no primeiro semestre. Em relação ao último trimestre de 2024, a atividade avançou 1,5%. tendo crescido 2,5%, em relação ao primeiro semestre de 2024.
A queda no ritmo de crescimento da economia deve continuar — e se acentuar — no segundo semestre. O ambiente econômico, marcado por taxas de juros reais em torno de 10%, sinaliza um freio na expansão do consumo das famílias, motor do crescimento no presente, e no investimento, motor do crescimento no futuro. Nesse sentido, é que chama a atenção o recuo de 0,2% na demanda doméstica — soma de consumo, investimento e gastos do governo — no segundo trimestre, ante crescimento de 1,2%, no primeiro trimestre.
O consumo das famílias, que observara crescimento trimestral de 1% no primeiro trimestre, avançou 0,5%, no segundo trimestre. Com o investimento, a brecada foi ainda mais forte. Depois de uma expansão de 3,1%, no primeiro trimestre, o investimento encolheu 2,2%, no segundo.
Com relação ao mesmo período de 2024, o investimento ainda cresceu 4,1%, no segundo trimestre, mas mostrando desaceleração forte, na comparação com o avanço interanual ocorrido no primeiro trimestre, quando avançou 9,1%. Mas a taxa de investimento — relação entre o volume investido e o PIB — que ficou em 16,8%, praticamente sem alteração ante o segundo trimestre de 2024, continua muito baixa, longe do necessário para uma expansão consistente e não inflacionária da economia.
Projeções são de expansão em ritmo ainda menor para os dois trimestres da segunda metade do ano. Perspectivas são de que a marcha trimestral do PIB caia para a metade da registrada entre abril e junho, com possibilidade de ficar no zero a zero, no conjunto do período, chegando mesmo a um recuo mais para o fim de 2025. Indicadores já conhecidos de julho e agosto não deixam dúvidas sobre a freada em curso.
A tendência é de revisões para baixo nas projeções de crescimento anual, apontando para vizinhanças de 2%, ante as atuais estimativas de crescimento do PIB entre 2,2% e 2,5%. Ainda assim, confirmada essa hipótese, a expansão da economia nos três primeiros anos do terceiro mandato de Lula chegaria a robustos 8,8% — média anual de 2,9%.
