24/02/2026

24 de fevereiro de 2026 21:19

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Espaços para mulheres vítimas de violência são fechados em Cuiabá e provoca reações

Menos de seis meses após assumir a Prefeitura de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) é alvo de críticas pelo fechamento dos Espaços de Acolhimento à Mulher nas UPAs dos bairros Verdão e Leblon. A denúncia foi feita pelo Laboratório de Teorias e Práticas Feministas e Antirracistas de Enfrentamento às Violências Contra Mulheres e Meninas”, que acusa a gestão de descontinuar atendimentos a vítimas de violência doméstica sem apresentar alternativa adequada.

O Laboratório é constituído em parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT).

47

Mulheres vítimas de feminicídio

89

Órfãos do feminicídio

Sobre as vítimas

Entre as 47 mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2024, 41 delas eram mães. Os números fazem parte da análise detalhada da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil.

O impacto nas famílias

Os crimes fizeram 89 órfãos do feminicídio. Dezessete deles eram filhos biológicos dos autores dos feminicídios; quatro perderam também os pais, que cometeram suicídio após assassinarem suas companheiras ou ex-companheiras.

Casos chocantes

Nove mulheres foram mortas na frente dos filhos, entre elas Gleiciane de Souza, 35 anos, assassinada na cidade de Jaciara, em setembro do ano passado. Antes de matá-la, o esposo a agrediu dentro de casa; em seguida, a arrastou para a rua e fez vários disparos contra a vítima. O crime foi cometido na frente dos filhos do casal, duas crianças de 8 e 9 anos de idade. O criminoso ainda ateou fogo no corpo da vítima.

O relatório “Mortes Violentas de Mulheres e Meninas em Mato Grosso por razões de gênero 2024” é produzido com base nos dados dos boletins de ocorrências de homicídios e feminicídios, cruzamento de informações e em inquéritos policiais e traz o perfil das vítimas e autores dos crimes, local e meio empregado, solicitação de medidas protetivas e os efeitos da violência praticada contra mulheres e adolescentes.

Romper o silêncio pode fazer a diferença

A violência contra as mulheres deixa marcas em todo o círculo familiar e, muitas vezes, a única alternativa para as vítimas é tentar romper o silêncio da violência diária e buscar auxílio dos órgãos estatais.

Durante o ano de 2024, a Polícia Civil registrou 17.910 medidas protetivas de urgência, um aumento de 6% comparado ao ano anterior.

Saiba como ajudar

Os serviços, que atendiam vítimas de violência doméstica, foram extintos em março sob a justificativa de uma “recentralização temporária” no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), conforme nota da Prefeitura. Dois meses depois, porém, não há sinal de reabertura, e servidoras denunciam o desamparo de centenas de mulheres.

Desmonte silencioso

Segundo a denúncia os espaços atendiam cerca de 300 mulheres entre junho de 2023 e março deste ano, incluindo vítimas encaminhadas pelo Judiciário e pelo Ministério Público.

A Lei Federal nº 14.847/2024 garante salas exclusivas para mulheres vítimas de violência no SUS, com equipes especializadas. A medida em Cuiabá, no entanto, transferiu a demanda para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), sobrecarregando equipes que já atendem 12 polos regionais. “Como uma psicóloga vai priorizar essas mulheres sem um projeto específico?”, indaga outra servidora.

O grupo protocolou denúncias no Ministério Público, Defensoria, Câmara Municipal e conselhos de direitos, exigindo:

  1. Reabertura imediata dos espaços ou criação de alternativa equivalente;
  2. Transparência sobre o fechamento e destino dos prontuários;
  3. Garantia de políticas públicas contínuas para mulheres.

O que diz a prefeitura

De acordo com a Prefeitura de Cuiabá, houve remanejamento dos atendimentos, mas alega que eles não foram paralisados.

Mato Grosso: um dos piores lugares para ser mulher

O estado lidera o ranking nacional de feminicídios em 2024, e o Brasil ocupa o 5º lugar no mundo em assassinatos de mulheres.

Para a professora Lélica Lacerda (UFMT), integrante do coletivo Nenhuma a Menos, o fechamento dos espaços é “um atentado à vida”. “Sem esses serviços, as vítimas ficam reféns da própria sorte em um estado que já é uma máquina de matar mulheres”, alerta.

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