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13 de janeiro de 2026 03:43

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Estudo revela por que onças-pintadas buscam árvores como refúgio no Pantanal


Quem observa o topo das figueiras e tarumãs no Pantanal pode se deparar com um espetáculo inesperado: onças-pintadas descansando tranquilamente sobre galhos horizontais. Um estudo inédito realizado no Pantanal sul-mato-grossense desvenda o comportamento arbóreo do maior felino das Américas, mostrando que as árvores funcionam como um verdadeiro “sótão seguro” contra perigos terrestres e machos agressivos.

Onças Surya e Dakari no alto de uma árvore no Pantanal (Foto: Rafael Del Prete/ Onçafari)

Embora o comportamento de subir em árvores seja comum em leopardos na África, ele era pouco documentado para as onças-pintadas, especialmente fora da Amazônia.

No Pantanal, subir em árvores não está relacionado às cheias, como ocorre na Amazônia, mas sim a uma estratégia de sobrevivência e proteção familiar.

A pesquisa, realizada entre 2013 e 2020 no Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda, monitorou 252 eventos de escalada por meio de observações diretas e armadilhas fotográficas instaladas em troncos e galhos. Os dados são reveladores: filhotes têm 7,91 vezes mais chances de subir em árvores do que adultos.

O estudo sugere que as árvores funcionam como extensões verticais do território das onças, servindo como verdadeiros “quartos do pânico” para fêmeas e filhotes. No topo, eles ficam protegidos contra:

  • Infanticídio: assédio e agressão de grandes machos adultos, que podem ser fatais para os filhotes.
  • Predadores terrestres: ataques de animais como queixadas (porcos-do-mato) e gado.
  • Conflitos com outros indivíduos da espécie: a presença de outros onças aumenta em 3,26 vezes a probabilidade de um indivíduo buscar as alturas.

Enquanto fêmeas, que pesam entre 54 e 70 kg, sobem com agilidade, machos adultos raramente são vistos nas árvores. Apenas 1,98% dos eventos de escalada registraram machos.

Onça-pintada descansando em árvore
Onça-pintada descansando em árvore (Foto: Bruno Sartori/ Onçafari)

O motivo é físico: um macho de 140 kg corre alto risco de queda, já que muitos galhos não suportam seu peso. Quando sobem, geralmente é para seguir uma fêmea no cio, garantindo reprodução.

Principais desafios para os machos adultos:

  • Risco de quedas e lesões: o impacto de uma queda é mais perigoso devido à maior massa corporal.
  • Fragilidade dos galhos: muitos galhos não suportam o peso de machos adultos, que podem pesar entre 102 e 140 kg — cerca de 36% a mais que a média das fêmeas.
  • Dificuldade de locomoção: seu tamanho dificulta a escalada e o deslocamento vertical.

As onças apresentam preferências claras por certas árvores:

  • Figueiras: oferecem galhos horizontais largos para descanso e troncos com ramificações baixas que facilitam a subida dos filhotes.
  • Tarumãs: possuem casca macia, utilizada para limpar garras e deixar marcas visuais e olfativas de território.

Além da segurança, as árvores proporcionam um ambiente de aprendizado: enquanto as mães descansam na sombra fresca da copa, os filhotes praticam suas habilidades de escalada, essenciais para sua futura sobrevivência.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da ONG Onçafari, que atua na proteção de onças-pintadas e outros animais que vivem livremente no Pantanal de Miranda em Mato Grosso do Sul.

Onça deitada em árvore (Foto: Bruno Sartori/ Onçafari)
Onça deitada em árvore (Foto: Bruno Sartori/ Onçafari)



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