03/03/2026

3 de março de 2026 19:15

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Feijão carioca encerrou fevereiro em patamar recorde, mostra indicador Cepea/CNA

Foto: Sebastião José de Araújo/Embrapa

O mercado de feijão encerrou fevereiro em alta, com destaque para o feijão carioca. Os preços médios da leguminosa atingiram os maiores níveis da série histórica do indicador Cepea/CNA, iniciada em setembro de 2024.

O feijão preto também viu as cotações encerrarem o mês passado em aceleração, alcançando os patamares mais elevados desde janeiro de 2025.

De acordo com o indicador, na última semana do mês, entre 20 e 26 de fevereiro, a liquidez permaneceu moderada. As negociações seguiram cautelosas e concentradas na reposição do varejo, enquanto a oferta da primeira safra continuou restrita, sustentando o viés de alta.

Baixa disponibilidade do feijão carioca

A qualidade e disponibilidade de lotes de padrão superior de feijão carioca foram comprometidas pelas chuvas durante a colheita em Minas Gerais e Goiás, prejudicando, especialmente, os grãos de nota 9 ou acima.

Segundo o indicador Cepea/CNA, entre 20 e 27 de fevereiro, as altas foram generalizadas, com destaque para Curitiba, Paraná, com elevação de 9,40%, e Itapeva, com incremento de 8,18%, refletindo a maior disputa por grãos de melhor qualidade.

Já de janeiro para fevereiro, o preço médio do carioca acumulou valorização de 29,3%. Com isso, as médias de fevereiro superaram as de maio de 2025 e estabeleceram novo recorde nominal na série.

Grãos de notas 8 e 8,5

A valorização também foi consistente nos grãos de notas 8 e 8,5, impulsionada por atributos como coloração clara e escurecimento lento. Em Itapeva, as cotações subiram mais de 9% na semana analisada.

Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso também registraram preços firmes. No entanto, o avanço recente levou parte dos compradores a atuar com maior cautela no fim do mês.

Assim, diferentemente do observado no mesmo período de 2025, quando houve recuo entre janeiro e fevereiro, em 2026 o aumento mensal próximo de 26% reforça o movimento altista iniciado em janeiro.

Feijão preto

A demanda por feijão preto esteve mais comedida, influenciada pelos estoques previamente formados, conforme o indicador. Ainda assim, a preferência por lotes mais recentes manteve as cotações firmes.

Entre 20 e 27 de fevereiro, os preços subiram 3,97% em Itapeva, 2,37% em Curitiba, 1,52% na metade sul do Paraná e 0,66% no oeste catarinense. Na média mensal, fevereiro registrou alta de 15,2%, revertendo a queda observada no mesmo período do ano passado e levando os preços aos maiores níveis desde janeiro de 2025.

“O comportamento dos preços em fevereiro reflete uma combinação clara de oferta restrita e demanda ainda ativa, especialmente para os lotes de melhor qualidade”, diz o assessor técnico da CNA Tiago Pereira.

Segundo ele, a redução da produção no Sul e os impactos climáticos sobre a colheita limitaram a disponibilidade no mercado. “Ainda que a liquidez tenha sido moderada no fim do mês, o patamar atual de preços indica um mercado ajustado, que tende a permanecer sensível ao ritmo da segunda safra e às condições climáticas nas próximas semanas”, conclui.

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