03/02/2026

3 de fevereiro de 2026 21:33

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Fevereiro chuvoso aperta o calendário da safra 25/26

Foto: Canal Rural/Reprodução

Fevereiro começou do jeito que o produtor conhece bem: com chuva demais para colher e, ao mesmo tempo, chuva importante para segurar o potencial produtivo das lavouras mais tardias. Em várias áreas do Mato Grosso, Goiás e Paraná, os volumes passam com facilidade dos 100 milímetros.

Do ponto de vista agronômico, essa água ajuda. Do ponto de vista operacional, atrapalha, e muito. Solo encharcado segura máquina fora do campo, alonga a colheita da soja e comprime decisões que não gostam de atraso.

Quando a colheita não anda, o impacto aparece rápido no custo. Grão mais úmido exige mais secagem, mais energia, mais tempo. E isso acontece num momento em que a margem já não sobra. Além disso, soja que fica tempo demais no campo corre risco de perda de qualidade: vagem apodrecendo, grão brotando ainda na planta, desconto na entrega.

Esse movimento não é percepção isolada. Ele aparece claramente na evolução semanal da colheita, acompanhada nos relatórios da Conab. Quando o percentual colhido começa a patinar, o sinal de alerta acende, não só para a soja, mas para tudo que vem depois.

Safra cheia não resolve atraso. A conta chega no custo e na qualidade.

E é justamente aí que a meteorologia deixa de ser coadjuvante e passa a ser ferramenta de decisão. Em anos como este, saber se a chuva vai dar trégua por dois ou três dias muda completamente a estratégia. Não há previsão por curiosidade. É informação para decidir se vale forçar a entrada da máquina ou esperar.

A meteorologia divulgada pelo Canal Rural tem cumprido bem esse papel. Pela consistência dos modelos e pelo índice de acerto, tornou-se uma das referências mais confiáveis hoje para o produtor acompanhar o curto prazo e ajustar a operação no detalhe, algo que faz diferença quando a janela começa a se fechar.

Meteorologia boa prevê o tempo e protege a decisão.

O ponto mais sensível desse atraso aparece logo adiante: a safrinha de milho. Em boa parte das regiões, a janela ideal de plantio se encerra entre o fim de fevereiro e meados de março. Cada dia a mais na colheita da soja empurra o milho para um período mais seco, com menos chuva a partir de maio e maior risco de geada no início do inverno.

Não é uma discussão sobre produtividade máxima. É sobre risco. E o mercado entende isso rapidamente. Qualquer ameaça à safrinha, considerando o peso do Brasil como exportador, costuma aparecer antes mesmo no mercado futuro, negociado na B3, do que no campo.

Em anos de clima instável, o diferencial do produtor não está apenas na tecnologia ou no volume produzido, mas na capacidade de gerenciar risco. Escolher bem o momento de colher, escalonar cultivares, usar informação climática confiável e tomar decisão no tempo certo passou a valer tanto quanto produzir bem.

A safra 25/26 começa a ser definida agora, não pelo que cai do céu, mas pela forma como cada produtor reage a ele.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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