O arcebispo metropolitano de Arquidiocese de Cuiabá, Dom Mário Antônio da Silva, de 59 anos, foi nomeado nesta segunda-feira (2) pelo Papa Leão XIV como novo arcebispo da Arquidiocese de Aparecida, em São Paulo. A confirmação partiu do Vaticano e marca a transferência do religioso para uma das mais relevantes sedes da Igreja Católica no país, responsável pelo Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, centro da devoção à Padroeira do Brasil.
Dom Mário assume o posto após a renúncia de Dom Orlando Brandes, de 79 anos, aceita pelo pontífice depois de uma década à frente da arquidiocese paulista. Com a mudança, a Igreja em Cuiabá ficará temporariamente sem arcebispo titular até que o Papa anuncie um sucessor. A previsão é de que Dom Mário permaneça na capital mato-grossense até abril, encerrando um ciclo de quatro anos de atuação pastoral na Baixada Cuiabana.
Em mensagem de despedida, o arcebispo afirmou que deixa Cuiabá com o “coração profundamente marcado” pela convivência com o povo e destacou a caminhada construída em espírito de comunhão. Segundo ele, o período foi marcado por fé ativa, fraternidade e dedicação missionária. Inspirado pelo lema episcopal “Testemunhar e Servir”, fundamentado na passagem bíblica “Vós sois minhas testemunhas” (At 1,8), Dom Mário ressaltou que sua missão sempre esteve voltada ao anúncio de Cristo e ao serviço pastoral.
Durante sua permanência na capital mato-grossense, o religioso participou de celebrações marcantes, como crismas, ordenações presbiterais, festas de padroeiros e encontros pastorais, além de manter proximidade com o clero, seminaristas, religiosos e leigos. Ele agradeceu o aprendizado compartilhado e afirmou que levará consigo as experiências vividas na arquidiocese.
Natural de Itararé (SP), Dom Mário nasceu em 17 de outubro de 1966 e iniciou sua formação no Seminário Maior Divino Mestre, na Diocese de Jacarezinho (PR). É mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, e foi ordenado sacerdote em 1991. Ao longo da trajetória, atuou como formador e reitor de seminário, além de ocupar funções pastorais relevantes.
Em 2007, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, onde desenvolveu trabalho junto às comunidades e às populações amazônicas. Em 2015, assumiu como bispo diocesano de Roraima, enfrentando desafios como a crise migratória provocada pela chegada de refugiados venezuelanos, articulando ações humanitárias de acolhimento. Já em fevereiro de 2022, foi escolhido pelo Papa Francisco para comandar a Arquidiocese de Cuiabá, imprimindo uma condução pastoral voltada à sinodalidade e à presença missionária. Atualmente, também preside a Cáritas Brasileira, entidade ligada à Igreja que atua em ações solidárias e de apoio a populações vulneráveis.
A Arquidiocese de Aparecida, criada em 1958, abrange municípios do Vale do Paraíba, em São Paulo, e exerce papel central na vida religiosa do país. Reconhecida como um dos maiores centros de peregrinação católica do mundo, recebe milhões de fiéis todos os anos e tem forte influência na promoção da devoção mariana e na organização pastoral da Igreja no Brasil.
