Somente em 2025, 17 mulheres se tornaram vítimas do feminicídio em Mato Grosso do Sul. Por isso, girassóis foram plantados na praça Nestor Pires Barbosa, em Maracaju, para eternizar a memória daquelas que perderam a vida para esse tipo de crime.
Cada flor recebeu uma placa com identificação, que trazia as iniciais das vítimas, idade, data e forma como a morte aconteceu.
O jardim criado na região central da cidade, traz a reflexão para sociedade sobre esse tipo de violência, conforme relata a coordenadora de Políticas Públicas do município, Jamaika do Carmo.
“Eu pensei junto com a equipe em plantar girassol porque é uma flor que sempre está virada para o sol, para a luz, para brilhar. Mas infelizmente, essas 17 vítimas que estavam ali representadas pelo girassol foram 17 vítimas que não conseguiram acordar no dia seguinte para ver o sol brilhar”, lamenta Jamaika.
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Maracaju não encarava o feminicídio há 4 anos. No dia 20 de junho, Doralice da Silva, de 42 anos, foi morta a facadas pelo companheiro, colocando a cidade na rota dos municípios que registraram o crime.
Vítimas
De janeiro a junho de 2025, mulheres com idades entre 23 e 59 anos, além de uma criança de apenas 10 meses, foram mortas por pai, companheiros, ex-companheiros e até colegas de trabalho. Abaixo estão os nomes de todas as vítimas do feminicídio em MS, em 2025:
- Karina Corin, 29 anos – morta a tiros pelo ex-companheiro em Caarapó (01/02);
- Vanessa Ricarte, 42 anos – morta a facadas pelo ex-noivo em Campo Grande (12/02);
- Juliana Dominguez, 28 anos – indígena, morta com golpes de foice na cabeça, em Dourados (18/02);
- Mirieli dos Santos, 26 anos – morta a tiros pelo ex-marido em Água Clara (22/02);
- Emiliana Mendes, 26 anos – estrangulada pelo companheiro em Juti (24/02);
- Gisele Cristina Oliskowiski, 40 anos – morta em Campo Grande; corpo queimado pelo companheiro (01/03);
- Andreia da Silva Arruda, 30 anos – morta a facadas em Nioaque (29/03);
- Ivone Barbosa da Costa Nantes, 40 anos – morta com facadas na cabeça em Sidrolândia (17/04);
- Thacia Paula Ramos, 39 anos – assassinada a tiros em Aporé, GO, mas natural de Cassilândia (11/05);
- Simone da Silva, 35 anos – morta a tiros na frente dos filhos em Itaquiraí (14/05);
- Olizandra Vera Cano, 26 anos – assassinada a facadas na Aldeia Taquaperi, Coronel Sapucaia (23/05);
- Graciane de Sousa Silva, 32 anos – morreu após quatro dias de agressões, em Angélica (25/05);
- Vanessa Eugênio Medeiros, 23 anos – morta com golpe mata-leão e depois carbonizada pelo marido, em Campo Grande (26/05);
- Sophie Eugenia Borges, 10 meses – morta asfixiada e carbonizada junto com a mãe, em Campo Grande (26/05);
- Eliana Guanes, 59 anos – queimada viva em Corumbá pelo colega de trabalho (07/06);
- Doralice da Silva, 42 anos – morta a facadas pelo companheiro em Maracaju (20/06);
- Rose Antônia de Paula, 41 anos – morta a facão pelo companheiro em Costa Rica (27/06).

