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26 de fevereiro de 2026 06:10

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IA pode levar economia para armadilha de “PIB fantasma”; entenda

Já se discute no mercado financeiro um problema além da potencial bolha que a inteligência artificial pode estar formando.

Um dos principais motores das economias modernas é o gasto dos consumidores – em média, o componente representa de 60% a 70% do PIB (Produto Interno Bruto) dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). E mesmo as grandes empresas de tecnologia tem na compra de seus serviços o principal pilar de seus faturamentos.

Futuro distópico

O que a consultoria norte-americana Citrini Research aponta, porém, é que a IA pode estar preparando sua própria armadilha, e o otimismo em torno dela pode ser, na verdade, o que direciona ao pessimismo.

O relatório da Citrini traz “um cenário, não uma previsão” ficcional para junho de 2028, no qual descreve “a evolução e as consequências” do que batizou de “Crise Global da Inteligência”.

Neste quadro, a IA evolui ao ponto de tornar o trabalho obsoleto, colocando pessoas na rua e acabando com o poder de consumo do trabalhador.

“Quando começaram a surgir fissuras na economia de consumo, os especialistas econômicos popularizaram a expressão ‘PIB fantasma’: produção que aparece nas contas nacionais, mas nunca circula pela economia real”, uma vez que a riqueza não chega de fato a um trabalhador, que eventualmente se torna consumidor e faz o dinheiro circular, segundo o relatório.

Em entrevista ao CNN Money, Pedro Burgos, professor do Insper e fundador do Co.Inteligência, ressaltou que o bull market – um ciclo de ganhos, em tradução livre do jargão do mercado financeiro – para a IA pode acabar se tornando num bear market – um ciclo de perdas – para a economia.

“O quebra-cabeça complexo é o seguinte, se você apostar muito que a IA vai continuar avançando, isso parece bom para a Nvidia, para a OpenAI, para a Anthropic no curto prazo, mas em algum momento, se as profecias se realizarem e essas coisas forem capazes de substituir mais empregos, isso vai começar a afetar o mercado de consumo”, explicou Burgos.

Efeitos vistos agora

Formada por ex-membros da OpenAI – empresa mãe do ChatGPT -, a startup Anthropic é responsável pelo chatbot Claude, que assim como seu primo é baseado em LLM (grandes modelos de linguagem).

A empresa já se consolidou como uma das principais referências em IA generativa e tem como objetivo expandir ainda mais as capacidades dessa tecnologia.

De um lado, a startup apresenta um modelo voltado ao público comum, o Claude Sonnet 4.5, que lida melhor com tarefas longas, entende instruções com mais precisão e se dá melhor em atividades comuns, como resumir documentos, criar textos e revisar códigos.

Do outro, tem o novo modelo Claude Opus 4.6, que foi projetado para tornar o assistente Cowork AI mais eficiente para tarefas de escritório e programação, o que pode aumentar ainda mais as preocupações de que a ferramenta de IA possa substituir softwares especializados que as empresas utilizam para essas tarefas.

Quando anunciada, a ferramenta abalou o mercado financeiro e colocou em xeque as grandes empresas de tecnologia e uma série de funções ainda executadas por pessoas no mercado de trabalho.

“O mercado acompanha como a inteligência artificial vai mudar o mundo. Semana passada, teve empresas de consultoria e software com a ação caindo 10%, 20%. As pessoas estão avaliando como a IA vai impactar alguns setores que eram muito bons”, observa Rafael Furlanetti, apresentador do Hot Market da CNN Brasil, diretor institucional da XP Inc. e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores).

“Mas, por exemplo, se eu conseguir programar pelo meu sistema de IA meus próprios sistemas de controle interno, qual vai ser o valor dessas empresas de software no futuro? Ninguém sabe. São empresas que talvez podem ficar dizimadas. Há essa dúvida muito grande”, pontua.

Na Cúpula de Impacto da IA, realizada na última semana na Índia, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que a inteligência artificial ultrapassará as capacidades cognitivas humanas na maioria das tarefas dentro de um “pequeno número de anos”.

O relatório da Citrini repercutiu no mercado financeiro, após ser publicado no domingo (22), e, segundo analistas, foi um dos motivos por traz do temor com IA e do tombo de Wall Street na segunda-feira (23).

Co-autor da nota de pesquisa, o economista Alap Shah questiona que “todo o nosso sistema econômico se baseia em uma premissa fundamental: a inteligência humana é um recurso escasso e caro”.

“Ela é o insumo essencial para transformar matérias-primas em bens e serviços que ditam nossos padrões de vida. Em 2026, com o amadurecimento da IA ​​ativa, essa premissa fundamental está ruindo”, conclui.

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