01/05/2026

1 de maio de 2026 14:43

Irã envia proposta para encerrar guerra com EUA

Regime iraniano encaminhou documento a mediadores paquistaneses; preço do petróleo recuou após anúncio

O Irã enviou, nesta 6ª feira (1º.mai.2026), uma nova proposta para negociar o fim da guerra com os Estados Unidos. O documento foi entregue a mediadores do Paquistão, que atuam como canal indireto entre Teerã e Washington.

A agência estatal iraniana não divulgou os detalhes do texto. Não há confirmação de que o documento já tenha chegado ao governo norte-americano. 

A nova movimentação diplomática acontece depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), rejeitar uma versão anterior apresentada por Teerã. O governo norte-americano exige garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. Já o regime iraniano afirma que seu programa nuclear tem fins civis e defende o direito de enriquecer urânio.

O governo iraniano também rejeita uma trégua temporária. Para Teerã, um cessar-fogo curto daria tempo para os Estados Unidos e Israel reorganizarem suas forças. O Irã defende um acordo mais amplo, com garantias de segurança e solução para o bloqueio no estreito de Ormuz.

PAQUISTÃO ATUA COMO MEDIADOR

O Paquistão se tornou o principal intermediário entre Estados Unidos e Irã. Autoridades paquistanesas têm levado mensagens entre os 2 governos para tentar manter aberta uma via diplomática, mesmo sem negociações diretas regulares entre as partes.

O governo do Paquistão considera a manutenção do cessar-fogo uma conquista diplomática. A trégua está em vigor desde o dia 8 de abril. Segundo o jornal britânico The Guardian, autoridades paquistanesas avaliam que ainda é possível avançar para um acordo mesmo sem uma nova reunião presencial entre representantes de Irã e Estados Unidos.

O papel paquistanês ganhou força porque Washington e Teerã endureceram suas posições depois de uma rodada de conversas em Islamabad, em abril. Os iranianos disseram que a negociação chegou perto de um acordo, mas que os Estados Unidos abandonaram a mesa. Washington afirmou que Teerã não estava disposto a ceder o suficiente.

O QUE ESTÁ EM DISCUSSÃO

As negociações envolvem o programa nuclear iraniano. Trump afirmou que não aceitará um acordo sem garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. O governo iraniano nega buscar armamento atômico e diz que suas atividades nucleares têm fins civis.

As conversas também tratam do estreito de Ormuz. A passagem marítima é usada no transporte de parte relevante do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. O bloqueio iraniano à região afetou cerca de 20% do fornecimento global destas commodities. Os EUA mantêm restrições às exportações de petróleo iraniano.

Nas negociações, o Irã tenta vincular a reabertura do estreito ao fim das pressões militares e econômicas. Já os EUA querem que a navegação seja restabelecida antes de qualquer concessão mais ampla.

Também está em discussão a possibilidade de um arranjo sobre o urânio. Diplomatas regionais citados pelo jornal britânico afirmaram que uma das alternativas discutidas seria enviar parte do material à Rússia, aliada de Teerã. O Irã, porém, ainda não aceitou abrir mão do direito de enriquecimento.

RISCO DE NOVA ESCALADA

Apesar da entrega do documento, a tensão militar continua. Trump recebeu nesta semana informações sobre opções para pressionar o Irã a negociar, incluindo a possibilidade de novos ataques. O governo norte-americano também avalia medidas para reabrir o estreito de Ormuz à navegação comercial.

O Irã, por sua vez, ativou defesas aéreas e avisou que responderá a qualquer nova ofensiva. Um integrante da Guarda Revolucionária disse que um ataque norte-americano, mesmo limitado, levaria a investidas “longas e dolorosas” contra posições dos Estados Unidos na região.

O comandante da Força Aeroespacial iraniana, Majid Mousavi, também afirmou que navios de guerra norte-americanos poderiam ser alvos em caso de retomada das hostilidades. A ameaça aumenta o risco de o conflito se espalhar pelo Golfo Pérsico.

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