02/03/2026

2 de março de 2026 19:17

Israel diz ter matado chefe do Hezbollah e amplia guerra no Oriente Médio

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já deixou centenas de mortos passa a envolver oficialmente aliados e ameaça a estabilidade global com ataques diretos, mobilizações militares em larga escala e ampliação do conflito para outros países do Oriente Médio. 

Ataque no Irã (Foto: AFP)

Na tarde desta segunda-feira (2), o Exército israelense afirmou ter matado Hussein Moukalled, apontado como chefe de inteligência do Hezbollah, em um ataque aéreo realizado no domingo (1º), em Beirute. A ofensiva ocorreu após o grupo xiita lançar ataques contra o norte de Israel.

Mais cedo, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, anunciou que proibirá atividades militares do Hezbollah e exigirá o desarmamento do grupo. Ainda não há detalhes sobre como a medida será implementada.

Israel e Líbano haviam firmado um cessar-fogo em 2024, mediado pelos EUA, após mais de um ano de confrontos. Desde então, ambos os lados trocam acusações de violações do acordo.

Nesta segunda-feira (2), Ataques israelenses no Líbano mataram pelo menos 52 pessoas e feriram outras 154, de acordo com um balanço atualizado divulgado por Beirute.

Os bombardeios no sul e no leste do Líbano e nos subúrbios ao sul de Beirute também deixaram mais de 28.500 pessoas desabrigadas, segundo a unidade de gestão de desastres do governo.

Trump fala em “grande onda” de ataques

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou à CNN que está “dando uma surra” no Irã, mas afirmou que uma “grande onda” de ataques ainda está por vir.

Segundo ele, as operações militares estão “indo muito bem” e contam com o que classificou como “os melhores militares do mundo”.

Apesar da retórica agressiva, Trump ainda não fez pronunciamento oficial à imprensa, limitando-se a entrevistas por telefone.

Irã diz estar pronto para guerra longa

O regime iraniano convocou a população a sair às ruas em apoio à República Islâmica e em homenagem ao líder supremo Ali Khamenei, morto no sábado (28) em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.

O assessor de segurança nacional iraniano, Ali Larijani, afirmou que o país está “preparado para uma longa guerra” e que irá defender sua soberania “independentemente dos custos”.

A Guarda Revolucionária declarou ter atacado mais de 500 alvos ligados aos EUA e a Israel, lançando mais de 700 drones e centenas de mísseis.

Patrimônio histórico atingido em Teerã

A imprensa iraniana informou que o Palácio Golestan, patrimônio mundial reconhecido pela Unesco, foi atingido por bombardeios.

Segundo a agência Isna, portas, janelas e elementos decorativos da antiga residência real do século 19 foram danificados.

Mortes e ampliação do conflito

A agência semioficial Tasnim informou que morreu nesta segunda-feira (2) a esposa de Ali Khamenei, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, após não resistir aos ferimentos sofridos nos ataques iniciais. Também foram confirmadas mortes de outros familiares.

O Comando Central dos EUA informou que subiu para quatro o número de soldados americanos mortos em ataques retaliatórios iranianos.

Em outra frente, Israel anunciou a mobilização de 110 mil reservistas, elevando significativamente sua capacidade militar. Segundo as Forças de Defesa de Israel, há preparação para combates em múltiplas frentes, especialmente no norte, diante da atuação do Hezbollah.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, “é um alvo para eliminação”.

Ataques atingem setor de petróleo

A crise também afeta o setor energético. Drones iranianos foram abatidos nas proximidades da refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita. A instalação pertence à estatal Saudi Aramco, e um incêndio foi registrado após destroços atingirem a unidade.

Um petroleiro com bandeira americana, o Stena Imperative, também foi atingido no Golfo Pérsico, deixando um funcionário morto.

ONU nega danos a instalações nucleares

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, afirmou que não há indícios de que instalações nucleares iranianas tenham sido danificadas nos ataques recentes.

A declaração contradiz informações anteriores de autoridades iranianas que indicavam novos danos à usina de Natanz.

O programa nuclear do Irã é apontado por Israel e pelos EUA como um dos principais motivos para a ofensiva militar.

Conflito se espalha pelo Oriente Médio

A embaixada americana em Bagdá recomendou que cidadãos e funcionários dos EUA permaneçam abrigados diante da ameaça de milícias pró-Irã. O Kuwait informou que “vários aviões dos EUA” caíram em seu território, mas declarou que todos os pilotos estão a salvo.

Desde o início da ofensiva coordenada, no sábado (28), o Crescente Vermelho informou 555 mortos e ao menos 747 feridos no Irã. Autoridades de Teerã afirmam que 131 cidades foram atingidas.

O cenário aponta para uma guerra de proporções regionais, com potencial impacto geopolítico e econômico global, especialmente diante do envolvimento direto de potências e da instabilidade no fornecimento de petróleo.

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