Nesse espelho que ela ergue diante do clube, cada jogador se vê com mais nitidez — e talvez menos conforto. Mas, por isso mesmo, com mais verdade.
Leila não tem medo do reflexo. Não tem receio de contrariar o técnico, a torcida, o roteiro pronto de declarações inflamadas. Ela prefere o caminho mais raro: o da maturidade.
E é curioso: ao negar que o culpado fosse a arbitragem, ela parece ter apitado, sem querer, um novo tipo de jogo — o da transparência.
O Palmeiras ainda voltará a vencer — porque gigantes despertam, mesmo quando demoram. Mas, quando isso acontecer, talvez muitos lembrem desse momento em que Leila apontou o dedo não para o juiz, mas para o próprio escudo.
Foi ali, naquela frase simples e forte, que ela mostrou por que se tornou a dirigente que é: porque não teme assumir, não teme incomodar, não teme liderar.
E, no fundo, talvez seja por isso que tantos a ouvem com respeito — mesmo quando discordam. Porque há algo de raro em quem não procura desculpas.
