Em entrevista ao podcast Política de Primeira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, deputado federal licenciado Guilherme Boulos (PSOL-SP), relembrou os ataques sofridos durante a última campanha eleitoral para a prefeitura de São Paulo, focando na conduta do então adversário Pablo Marçal (PRTB). Boulos descreveu a experiência como uma mistura de aprendizados bons e ruins, lamentando que o debate democrático tenha sido substituído, em certos momentos, pelo que chamou de “baixaria, chorume e lixaiada com mentira”.
No início de fevereiro, Pablo Marçal foi condenado pela Justiça ao pagamento de R$ 100 mil de indenização a Boulos por disseminar informações falsas durante a campanha eleitoral em 2024. Na época, o influenciador digital associou a imagem de Boulos ao uso de cocaína.
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O laudo falso de Marçal e o exame toxicológico de Boulos
Boulos destacou que um dos momentos mais graves da disputa foi a necessidade de desmentir a acusação de que seria usuário de drogas, fabricada por Marçal por meio de um documento forjado.
“O problema é a última campanha que eu tive em São Paulo, eu ter que ficar explicando que não usava droga porque o cara inventou um laudo falso de que eu usava droga”.
O ministro ressaltou que, embora goste de debater temas polêmicos como moradia e função social, o cenário muda quando o adversário apela para crimes.
“Uma coisa é se argumentar sobre moradia, função social, outra coisa é você ter que fazer um exame toxicológico e ter que processar um cara depois.”
Sobre o desfecho jurídico do caso, Boulos revelou que a condenação de R$ 100 mil imposta a Marçal não encerra a disputa. “O cara foi condenado. Pablo Marçal vai ter que pagar 100 mil. Eu acho pouco.”
O ministro afirmou que sua equipe jurídica irá recorrer para aumentar o valor da multa a ser paga com o patrimônio de Marçal e que a ação criminal continuará tramitando.
Para Boulos, a gravidade reside no fato de que o então adversário tentou “alterar uma eleição da maior cidade do Brasil” com base em mentiras.
Em nota enviada à Agência Brasil sobre a condenação, Pablo Marçal afirmou que a decisão é um julgamento de primeira instância, não sendo definitiva. “Discordamos do entendimento adotado e já estamos adotando todas as medidas judiciais cabíveis, com a interposição do recurso adequado, confiantes de que a decisão será revista nas instâncias superiores. O caso permanece em discussão no âmbito do Poder Judiciário.”