18/04/2026

18 de abril de 2026 16:29

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Membros de facção pegam quase 100 anos de prisão por barbárie em Mato Grosso

Condenados usaram picaretas e soda cáustica em crimes que chocaram o Nortão de Mato Grosso; penas somadas ultrapassam os 95 anos de reclusão.
Em uma resposta contundente à violência orquestrada pelo crime organizado, o Tribunal do Júri de Guarantã do Norte selou o destino de dois homens responsáveis por um dos episódios mais cruéis da história recente da região. Keulis Jhoni de Souza Cordeiro e Luan Cardoso foram condenados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, em um julgamento que expôs detalhes de tortura e execução sumária.

As penas aplicadas pelo Conselho de Sentença refletem a gravidade dos atos: Keulis Jhoni deverá cumprir 52 anos e 8 meses de reclusão, enquanto Luan Cardoso foi sentenciado a 42 anos e 4 meses. Ambos iniciam o cumprimento em regime fechado e tiveram o direito de recorrer em liberdade negado pela Justiça.

O rastro de sangue começou em julho de 2024, logo após a realização da Expotã 2022. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), as vítimas Marcionílio Riselo Neto (28) e Haroldo Júnior Barboza de Souza (20) foram alvo de uma emboscada motivada por disputas territoriais do tráfico de drogas sintéticas.

A investigação revelou que os jovens foram mortos porque estariam comercializando entorpecentes sem o “aval” da facção criminosa que domina a área. Haroldo foi coagido a entrar em um veículo sob ameaças, servindo de isca para a captura de Marcionílio. O que se seguiu nas linhas rurais Cachoeirinha e Santo Antônio foi um cenário de horror psicológico e físico.

Uso de picaretas e tentativa de dissolver corpos

A acusação, conduzida pela promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, detalhou a brutalidade dos assassinos. Marcionílio foi executado primeiro, com sucessivos golpes de picareta na cabeça. Em uma tentativa desesperada de apagar vestígios e dificultar a identificação, os criminosos chegaram a comprar soda cáustica para aplicar no corpo.

Haroldo Júnior sofreu um destino ainda mais perverso: antes de ser morto também com golpes de picareta, foi forçado a ingerir a substância cáustica. Os corpos foram ocultados em covas rasas em áreas de difícil acesso, evidenciando o esforço do grupo em garantir a impunidade.

Justiça Baseada em Provas Tecnológicas

O veredito, proferido no final de fevereiro de 2026, foi sustentado por um robusto conjunto de provas. O trabalho conjunto entre o delegado Lucas Lelis Lopes e o Ministério Público reuniu imagens de câmeras de monitoramento, rastreamento de redes sociais e denúncias anônimas que reconstruíram o passo a passo dos condenados.

Os jurados reconheceram três qualificadoras que elevaram a pena: motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Outros dois envolvidos já haviam sido condenados anteriormente, encerrando um ciclo de impunidade para o grupo que tentou impor o terror em Guarantã do Norte.

Segurança e Comunidade

A condenação serve como um marco para o município, reforçando que a justiça estatal prevalece sobre os códigos paralelos de facções criminosas. Denúncias anônimas continuam sendo a principal arma da população para auxiliar as forças de segurança no combate ao tráfico no interior do estado.

 

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