Gilberto Leite | Estadão Mato Grosso
O mercado imobiliário de Cuiabá mantém trajetória de expansão em 2025 e segue impulsionado por programas habitacionais e maior acesso ao crédito. Entre julho e setembro, o setor registrou 3,8 mil unidades comercializadas, movimentando R$ 1,46 bilhão, conforme a pesquisa de Indicadores do Mercado Imobiliário divulgada pelo Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT).
O levantamento, realizado em parceria com a Fecomércio-MT e a Secretaria de Fazenda de Cuiabá, tem como base os dados do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).
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De acordo com o presidente do Secovi-MT, Marco Pessoz, o principal motor do setor continua sendo o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), responsável por grande parte das transações.
“Percebemos que esse movimento está muito relacionado ao programa Minha Casa, Minha Vida. Hoje, entre 60% e 70% das 3,8 mil unidades transacionadas no período envolvem imóveis com valor médio de até R$ 250 mil”, afirmou Pessoz.
Embora o mercado tenha mantido o ritmo de crescimento, houve mudança no perfil dos imóveis vendidos. O número de unidades comercializadas aumentou, mas o valor médio caiu — reflexo da predominância de moradias populares. O ticket médio passou de R$ 410 mil no 2º trimestre para R$ 384,6 mil no 3º trimestre, queda de cerca de 6%. Ainda assim, o volume de transações cresceu 18,7%, demonstrando que a demanda por imóveis acessíveis permanece forte.
As regiões Oeste e Sul concentraram a maior parte das vendas, com valores mais baixos e imóveis enquadrados no MCMV, enquanto as regiões Leste e Norte registraram tickets médios mais altos e uma desaceleração nas vendas de médio e alto padrão.
“Nos imóveis fora do programa — ou seja, que não contam com incentivos fiscais ou redução de juros do governo — foi observada uma queda significativa, especialmente no segmento de médio e alto padrão”, explicou o presidente do Secovi-MT.
Pessoz reforça que o avanço das vendas de imóveis populares é sustentado por políticas de crédito e incentivos federais, menos afetados pela inflação e pelas taxas de juros.
“As taxas ainda elevadas inviabilizam muitas operações de crédito imobiliário e retraem esse segmento. É um cenário bem diferente do programa Minha Casa, Minha Vida, que conta com condições de financiamento mais acessíveis e segue impulsionando as vendas”, avaliou.
O desempenho do terceiro trimestre reforça a tendência de crescimento observada entre abril e junho, quando o mercado já havia apresentado números expressivos. No segundo trimestre, foram 3.430 imóveis vendidos, movimentando R$ 1,36 bilhão, o que representou alta de 49,9% no número de imóveis financiados e 25,3% no valor total transacionado em relação ao mesmo período de 2024.
O crédito imobiliário também teve papel decisivo nesse avanço. O número de imóveis adquiridos por financiamento saltou mais de 200%, passando de 555 unidades no segundo trimestre de 2024 para 1.713 em 2025.
A região Oeste de Cuiabá se manteve como líder tanto em volume quanto em valor de transações, com 1.441 imóveis vendidos, somando R$ 569 milhões no segundo trimestre. A expansão urbana em áreas mais acessíveis contribuiu para a redução do ticket médio, que ficou em R$ 395,8 mil, uma queda de 16,4% em relação ao trimestre anterior.
Com o desempenho positivo ao longo de 2025, Cuiabá consolida-se como um dos mercados imobiliários mais dinâmicos do Centro-Oeste, combinando crescimento constante, demanda aquecida nas faixas populares e expectativas otimistas para o último trimestre do ano.
