Reprodução | Fecomércio MT
A cesta básica ficou mais barata em 24 das 27 capitais brasileiras entre outubro e novembro, mas, mesmo com o recuo, Cuiabá continua entre as mais caras do país. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pela Conab e pelo Dieese, a capital mato-grossense registrou redução de 0,60%, fechando novembro com custo de R$ 789,98 — o 3º maior valor do Brasil, atrás somente de São Paulo (R$ 841,23) e Florianópolis (R$ 800,68).
No ranking das maiores deflações do mês, liderado por Macapá (-5,28%), Porto Alegre (-4,10%) e Maceió (-3,51%), Cuiabá aparece na parte inferior da lista, com queda considerada tímida.
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Na capital, sete dos 13 alimentos que compõem a cesta ficaram mais baratos em novembro. As principais reduções foram no tomate (-8,99%), arroz agulhinha (-4,71%), leite integral (-2,95%), manteiga (-2,78%), açúcar (-2,67%), farinha de trigo (-2,07%) e feijão carioca (-0,17%).
Por outro lado, seis itens subiram: batata (2,83%), óleo de soja (2,06%), banana (1,26%), carne bovina (0,77%), pão francês (0,29%) e café em pó (0,13%).
Mesmo com o alívio no mês, a cesta de Cuiabá permanece pressionada no acumulado recente. Desde abril, cinco itens tiveram alta expressiva, com destaque para a banana (+43,58%) e o pão francês (+13,52%).
O custo elevado pesa diretamente no bolso do trabalhador. Para comprar a cesta básica em novembro, quem recebe um salário mínimo precisou trabalhar 114 horas e 29 minutos na capital — ligeiramente menos que em outubro (115h11). Considerando o salário líquido, 56,26% da renda mensal foi comprometida somente com alimentação essencial.
Uma moradora da capital, que prefere não se identificar e vive com um salário mínimo, desabafa que o peso não está apenas na cesta básica, mas no dia a dia inteiro. “A gente faz conta o tempo todo. Compra o básico e já fica sem chão, porque tudo está caro. Não é só comida, é água, luz, aluguel. Em Cuiabá, parece que cada mês é uma luta diferente. Tem hora que dá medo de não conseguir chegar até o fim”, relatou.
Essa relação entre salário e custo da cesta básica evidencia a dificuldade de compra de alimentos essenciais na capital. Segundo levantamentos nacionais do Dieese, a cesta básica é historicamente o item que mais compromete a renda do trabalhador porque reúne produtos sujeitos a variações climáticas, sazonais e de mercado — fatores que impactam diretamente preços de itens como arroz, feijão, leite e proteínas.
Além disso, produtos in natura e derivados de grãos têm sido influenciados por custo de transporte, condições climáticas e pressão do atacado, fatores que ajudam a explicar por que a cesta segue pesando no orçamento, mesmo quando há pequenas oscilações para baixo.