Os números do agronegócio em Mato Grosso impressionam. Nunca é demais voltar a esse assunto porque novos dados surgem a cada momento sobre essa realidade econômica estadual.
A safra de soja e milho para 2024-25 é estimada em 101 milhões de toneladas. Maior que no ano anterior que foi de 93 milhões de toneladas. Quase um terço do que produz o Brasil que tem previsto uma produção de 330 milhões de toneladas das duas leguminosas. E, mostram os novos dados, que a produtiva no estado aumentou em 22%.
MT produziu também 6.5 milhões de toneladas de algodão ou 69% da produção nacional. Até o arroz chama a atenção, já se tem aqui 40% da produção nacional. Gergelim, 65% do total do Brasil. E feijão está em terceiro lugar na produção do país.
E, dizem os entendidos, que isso pode aumentar ainda mais porque no estado se tem cerca de 10 milhões de terras degredadas que podem ser incorporadas ao processo produtivo sem necedade de derrubar floresta. Assunto que tem bronca do exterior se ocorre.
Tem mais dados e números nesse assunto. O estado tem 34 milhões de cabeça de gado, 14% do total do Brasil inteiro. Mais: a produção da frangos e ovos, principalmente em municípios como Primavera do leste e Campos Verde, tem aumentado substancialmente, se colocando entre os maiores do pais. Também é citado o crescente aumento da litros de leite no estado. A coluna não encontrou dados concretos e completos sobre esses aumentos nos últimos anos.
Tem uma longa e interessante história por trás disso e que a coluna já enveredou por aí também antes. Foi a vinda de milhares de agricultores do sul do país para o estado. Começando ali pela década de 1970, durante o regime militar.
É aberta a rodovia 163 e ao longo dela serão alocados agricultores do sul do Brasil. Tentou-se também, naquela época, a construção da Transamazônica com a ideia de fazer a mesma coisa com pessoas do nordeste do país para a região amazônica. Não deu certo e nem foi ainda asfaltada toda essa rodovia.
Na 163 ocorreu o inverso e a produção vai explodir na área. A rodovia está asfaltada faz tempo e está sendo duplicada. Tudo junto foi até além do que imaginava.
É preciso sempre lembrar da presença da Embrapa, a empresa brasileira que trabalha com pesquisa. Se não fosse isso, se não fosse a ciência, o que foi mostrado acima não teria ocorrido.
É que, no início, sem as sementes adequadas para uma terra estranha aos agricultores sulistas, a coisa se complicou. A semente de soja para plantio no Sul do Brasil não deu certo no cerrado aqui. Descobre-se a semente apropriada e foi tudo que aconteceu no campo. Tão impressionante que o exterior se estarreceu com o que houve em Mato Grosso. E também os urbanoides, como nós, somente anos depois começaram a entender que houve no cerrado.
Alfredo da Mota Menezes é analista político.
