Ao lado dele, uma figura que virou símbolo: Paulinho. O ex-jogador, com bagagem de quem viu muita bola rolar, tinha diante de si uma escolha tentadora — o convite da CBF. Mas ele trocou prestígio por propósito. Preferiu ficar no Mirassol, não por comodidade, mas por acreditar que havia ali algo especial nascendo. Virou mentor, virou guia, virou voz experiente entre os garotos. Sua presença é o tipo de liderança que não aparece no scout, mas que muda rumos.
E se falamos em rumo, impossível ignorar Reinaldo. O lateral artilheiro. O veterano que encontrou no interior paulista o auge que muitos achavam já ter passado. Reinaldo rejuvenescido, livre, protagonista — vivendo, no Mirassol, o melhor momento da carreira. Não por acaso: aqui, ele não é coadjuvante, é dono de si. As arrancadas e os gols carregam não apenas técnica, mas um brilho de quem descobriu que, às vezes, o lugar certo não é o maior, mas o mais verdadeiro.
Ao redor deles, um elenco que mistura juventude e maturidade com uma química difícil de explicar e fácil de sentir. No Mirassol, cada arrancada tem cheiro de história. Cada dividida parece carregar a teimosia de um clube que aprendeu a crescer sem pedir licença. O Leão deixou de ser apenas símbolo: virou presença.
O triunfo diante do Vasco faz com que os comandados de Rafael Guanaes cheguem a 66 pontos, não podendo mais sair do G6. Em 37 partidas, são 18 vitórias, 12 empates e sete derrotas. Além disso, tem um histórico de invencibilidade em casa de 18 jogos.
O Mirassol é o quarto time do interior de São Paulo a disputar a Libertadores, que já contou com Guarani, Paulista de Jundiaí e Red Bull Bragantino.
Uma campanha que não foi feita só de gols, mas de fé, de trabalho silencioso, de noites em que o torcedor imaginou o impossível e, ainda assim, não desistiu. O Mirassol, com sua camisa amarela que parece carregar um pouco do próprio sol, tornou-se gigante. Não pela grandiosidade das cidades vizinhas, nem pela tradição dos clubes centenários, mas pela coragem de escrever sua própria epopeia.