O Palmeiras apresentou fatos novos à Justiça de São Paulo para tentar se livrar de um processo que cobra cerca de R$ 22 milhões de indenização pela morte de um torcedor cruzeirense, após emboscada de uma organizada alviverde, em outubro de 2024.
O clube trouxe ao tribunal um documento assinado pela sua principal torcida, a “Mancha Alvi Verde“, junto ao Ministério Público de São Paulo, em 5 de novembro do ano passado. O time alviverde foi comunicado sobre um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da organizada, que assumiu todas as responsabilidades civis pelo caso e reconheceu que as ações foram planejadas, organizadas e executadas por eles.
A “Mancha” ainda se comprometeu a indenizar as vítimas do evento, tanto por danos materiais e morais, estabelecendo até parâmetros de indenização, com o pagamento de R$ 2 milhões, sendo R$ 1 milhão destinados apenas aos herdeiros da vítima fatal, o cruzeirense José Victor Miranda.
Com isso, o Palmeiras quer que a Justiça encerre a ação movida contra o clube pela família da vítima, que também culpa o time alviverde pela tragédia.
“A celebração do TAC entre a ‘Mancha Alvi Verde‘ e o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do qual a ‘Mancha Alvi Verde‘ reconhece e assume integralmente a responsabilidade civil pelos fatos narrados na Petição Inicial não deixam dúvidas da ilegitimidade do Palmeiras para figurar no polo passivo desta demanda e a necessidade de extinção do processo sem resolução do mérito”, disse a defesa do clube.
O Palmeiras responde, desde o fim de 2024, por um processo aberto pela família de José Victor dos Santos Miranda, que morreu após a emboscada da torcida organizada do time alviverde contra a do Cruzeiro.
O clube sofreu uma enxurrada de processos abertos pelos parentes de José. As ações foram propostas pelo filho, pelo pai, pela mãe, pelo irmão, pela irmã e pelos avós da vítima. No total, eles cobram mais de R$ 20 milhões, além de 10% de honorários advocatícios, fazendo o pedido total ultrapassar a marca dos R$ 22 milhões.
Internamente, na época dos processos, em dezembro do ano passado, o clube foi pego de surpresa. Vale lembrar que a atual diretoria possui relações rompidas com a “Mancha“.
A presidente Leila Pereira constantemente toma medidas contra a organizada. Assim, a agremiação entende que não há razão para ser responsabilizada por um crime que ocorreu em uma rodovia, fora de qualquer data oficial de jogos do time.
Os parentes dizem que José era membro da organizada “Máfia Azul” e que “sempre foi uma pessoa trabalhadora, atenciosa, amigável, generosa, honrosa, solidária, afetuosa e honesta, sempre muito alegre, que construiu amizades durante sua vida”.
A família diz que a morte, pela forma cruel e violenta, causou muita dor e sofrimento. No caso, os palmeirenses o espancaram com pedaços de madeira e barras de ferro, ateando fogo nos ônibus da torcida mineira, tudo fruto de uma emboscada da Mancha Alviverde, principal organizada do Palmeiras.
A ESPN procurou a família do cruzeirense para comentar por meio do advogado responsável, mas não obteve resposta. A reportagem será atualizada caso queiram se manifestar.
A emboscada da torcida palmeirense contra os cruzeirenses tirou a vida de José e ainda deixou outros 15 feridos. Mais de 20 membros da organizada alviverde foram presos pelo episódio, ocorrido em 27 de outubro de 2024, na rodovia Fernão Dias, em Mairiporã-SP.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, integrantes da “Mancha” teriam interceptado dois ônibus da torcida “Máfia Azul“. Os agressores teriam lançado pedras e bolas de bilhar, usado fogos de artifício e material inflamável para incendiar os veículos, além de terem golpeado os torcedores do Cruzeiro com pedaços de madeira e barras de ferro.
