O técnico do Benfica, José Mourinho, afirmou Vini Jr. “acabou com a partida” ao solicitar o protocolo antirracista da Fifa contra Gianluca Prestianni, durante o jogo entre o time português e Real Madrid, pela Champions League, nesta terça-feira (17).
O brasileiro afirmou que o meia argentino teria o chamado de “macaco” após a comemoração do único gol partida, marcado por Vini, para o Real Madrid. O jogo foi paralizado em dez minutos e o argentino não foi expulso. Prestianni negou o ocorrido.
Durante a entrevista coletiva, o português criticou a dança do brasileiro ao comemorar o gol e questionou o motivo de Vini ser alvo constante de episódios de racismo na Europa. “O que digo é que acontece em tantos estádios sempre com o ele, alguma coisa não está bem. Marca um gol do outro mundo, por que celebrar assim? Por que não celebrar como Di Stefano, Pelé e Eusébio celebravam?”, afirmou.
A dança que incomodou Mourinho na partida desta terça (17), porém, não foi motivo de incômodo em 2011.
Dois pesos, duas medidas?
Atualmente no Benfica, Mourinho foi treinador do Real Madrid entre 2010 a 2013. Neste período, José teve sob seu comando um dos jogadores mais bem sucedidos do futebol europeu: o português Cristiano Ronaldo.
Em 2011, em uma partida contra o Málaga, uma dança brasileira não incomodou José Mourinho. Na vitória por 4 a 0, CR7 foi o responsável por marcar o segundo gol do jogo. Após o feito, ele se juntou ao parceiro de clube, o lateral brasileiro Marcelo, e fez os passos de dança da música “Ai se eu te pego”, de Michel Teló.
Os brasileiros levaram o hit de Teló para os treinos. CR7 gostou da música e a reproduziu na comemoração num estilo muito diferente aos de Di Stefano, Pelé e Eusébio. Sobre o feito, Mourinho não teceu critica alguma. Ao contrário, ele e seu elenco foram campeões de LaLiga na temporada 2011/12.
A reação mundial à dança foi tamanha que a música rapidamente ultrapassou 1 bilhão de visualizações.
Entenda o caso
A partida entre Benfica e Real Madrid pelos playoffs da Champions League, nesta terça-feira (17), no Estádio da Luz, em Lisboa, foi marcada por mais um possível ataque racista contra o brasileiro Vini Jr.
Após o atacante marcar o gol da vitória na segunda etapa, ele discutiu com os argentinos Otamendi e Prestianni e, pouco depois, correu na direção do árbitro François Letexier, que acionou o protocolo antirracismo da Fifa, cruzando os punhos.
A acusação de Vini Jr., de acordo com as imagens, é contra Prestianni, jovem argentino do time português. A transmissão mostrou que o meia-atacante encobriu a boca com a camisa durante um momento da discussão. Veja:
Vini Jr. leva cartão por comemoração
Na confusão, antes do acionamento do protocolo antirracismo, o brasileiro levou um cartão amarelo, aparentemente por algo que fez durante a comemoração do gol.
Os jogadores do Real Madrid ameaçaram deixar o gramado e foram na direção do banco de reservas. Diante da confusão, a torcida do Benfica passou a insultar Vini em coro, mas sem usar palavras racistas, de acordo com a reportagem da TNT Sports.
Técnico do time português, José Mourinho chegou a conversar acaloradamente com Vini Jr., no pé do ouvido.
Mbappé foi um dos jogadores mais afetados pelo caso. Revoltado com a acusação de Vini, ele discutiu fortemente com Otamendi, capitão do Benfica. Cerca de dez minutos depois, o jogo foi retomado, sem cartão para Prestianni.
Entenda o protocolo antirracismo
São três etapas para o protocolo. Na primeira, o árbitro observa ou recebe a denúncia dos jogadores e decide se vai paralisar, ou não, a partida.
Nesse momento, os telões dos estádios passam uma mensagem relatando o incidente, além do gestual do árbitro, com aviso de que a partida pode ser suspensa caso os problemas não cessem.
Se os ataques persistirem, a arbitragem pode cancelar o jogo. Os árbitros têm o poder de analisar a situação e entender a dimensão dos fatos antes de tomar uma decisão definitiva.
Tudo fica relatado na súmula, ou seja, os próximos passos são a partir da publicação do documento.
