Cerca de 200 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocuparam esta semana a sede da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, em Cuiabá. O grupo reúne famílias de cinco acampamentos localizados em diferentes regiões de Mato Grosso, que, segundo o movimento, aguardam há mais de 15 anos por avanços nos processos de assentamento.
Durante a mobilização, o MST afirmou que a pauta da reforma agrária no estado precisa ser tratada como prioridade pelo governo federal e denunciou a lentidão na condução dos processos relacionados à destinação de terras e regularização fundiária.
Movimento cobra respostas do governo federal
Segundo o MST, mesmo com processos considerados avançados, Mato Grosso ainda não registrou novos assentamentos rurais na atual gestão federal. O movimento afirma que as famílias seguem enfrentando insegurança e longa espera por soluções definitivas.
A ocupação ocorre no contexto dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, episódio marcado pela morte de trabalhadores rurais durante ação policial no Pará, em 1996, frequentemente lembrado pelos movimentos sociais ligados à luta pela terra.
O grupo reivindica a realização de uma audiência na primeira quinzena de junho com representantes do governo federal e lideranças políticas para discutir a situação da reforma agrária em Mato Grosso. Entre os nomes citados pelo movimento estão a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, o presidente nacional do Incra, César Aldrighi, além de parlamentares e representantes partidários.
Pauta inclui desapropriações e crédito rural
Entre as demandas apresentadas pelo MST estão pedidos de avanço em processos envolvendo áreas rurais nos municípios de Nova Olímpia, Juscimeira, Guiratinga e Nortelândia.
O movimento solicita celeridade em negociações judiciais, pagamentos relacionados a desapropriações e definição de prazos para encaminhamento de decretos de áreas destinadas à reforma agrária.
Outro ponto apresentado envolve recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, especialmente para manutenção do curso de Psicologia realizado em parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso e o Incra.
Além disso, os manifestantes cobram medidas relacionadas a crédito rural, infraestrutura, assistência técnica e fortalecimento da agricultura familiar.
Movimento defende reforma agrária popular
Na manifestação, o MST reafirmou o conceito de “reforma agrária popular”, defendendo políticas voltadas à produção de alimentos, sustentabilidade, agroecologia, educação do campo e justiça social.
O movimento argumenta que a pauta é estratégica para o desenvolvimento social e econômico do país, especialmente em regiões marcadas por conflitos fundiários e concentração de terras.
Até o momento, não houve divulgação oficial de posicionamento do Incra sobre as reivindicações apresentadas durante a ocupação.
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