Mato Grosso consolidou, em 2025, sua liderança no mercado de carne bovina, representando 23,1% de todas as exportações do produto feitas pelo Brasil. Ao todo, cerca de 978,4 mil toneladas da proteína foram destinadas a 92 países, consolidando o estado como principal produtor nacional no comércio internacional do setor. Da picanha destinada à culinária ao sebo que vira biodiesel, praticamente todas as partes do boi têm destino, valor e mercado internacional.
Esse protagonismo reafirma a vocação do estado no mercado internacional da proteína animal, onde cortes nobres como picanha e filé-mignon, verdadeiros símbolos da carne brasileira, têm grande procura em países europeus e em mercados de alta exigência sanitária e de qualidade.
Entretanto, a participação de Mato Grosso nas exportações vai muito além dos cortes mais valorizados. A cadeia da carne bovina no Brasil tem por característica a utilização integral do boi, com mercados específicos para praticamente todas as partes do animal.
Miúdos como coração, fígado e língua atendem à demanda culinária tradicional em países da África e Ásia, enquanto produtos como couro e sebo são exportados para polos industriais que os transformam em bens de moda, cosméticos ou até biodiesel.

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o aproveitamento integral do boi é um fator determinante para a competitividade da pecuária brasileira no cenário global.
Segundo ele, embora a exportação de carne muitas vezes seja associada apenas aos cortes nobres, o diferencial da indústria está na utilização de todas as partes do animal, já que cada uma possui valor, mercado e função específicos, tornando a cadeia produtiva mais eficiente, competitiva e sustentável.
Esse modelo de produção e venda, que inclui produtos de diferentes valores agregados, mostra uma tendência nacional de agregar valor e diminuir o desperdício, ampliando a receita não apenas para o setor frigorífico, mas para a economia como um todo.
Da cadeia também saem produtos de alto valor agregado para a área da saúde e da indústria farmacêutica, como colágeno, gelatina, heparina e outros insumos, exportados para Estados Unidos, Japão, Alemanha e França. Na nutrição animal e no pet food, farinhas de carne e ossos, farinha de sangue e gorduras atendem a mercados como Chile, Peru, Colômbia e Tailândia.
Bruno destaca que o aproveitamento integral do boi é um dos principais diferenciais da pecuária brasileira, pois permite atender desde mercados mais sofisticados até demandas relacionadas à segurança alimentar, à produção de energia e à indústria, ampliando a eficiência econômica de toda a cadeia produtiva.
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