23/02/2026

23 de fevereiro de 2026 18:40

Mulheres recebem 20% a menos que homens no Brasil

Jana Pessôa/Setasc-MT

 As mulheres brasileiras receberam salários, em média, 20,9% menores do que os homens em 2024 em mais de 53 mil estabelecimentos pesquisados com 100 ou mais empregados.

A diferença salarial se manteve praticamente estável em relação a 2023, quando foi registrado que as mulheres recebiam 20,7% a menos que os homens. Em 2022, as mulheres recebiam 19,4% a menos.

“Na remuneração média, os homens ganham R$ 4.745,53, enquanto as mulheres ganham R$ 3.755,01. Quando se trata de mulheres negras, o salário médio vai para R$ 2.864,39”, diz o 3º Relatório de Transparência Salarial e Igualdade Salarial. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (7) pelos ministérios da Mulher e do Trabalho e Emprego (MTE).

Foram analisados, ao todo, 19 milhões de empregos, 1 milhão a mais que no relatório de 2023. Em relação às mulheres negras, a média salarial é 52,5% menor que a dos homens não negros.

Em 2023, mulheres negras recebiam 49,7% a menos que os homens não negros. Alta gestão Nos cargos de alta gestão, de diretoras e gerentes, a diferença salarial é ainda maior, com mulheres recebendo 26,8% a menos que os homens.

Se comparadas as mulheres com nível superior, a diferença em relação aos homens com mesmo nível de escolaridade é ainda maior, com mulheres com diplomas recebendo 31,5% a menos.

A ministra da Mulher, Cida Gonçalves, considerou que a desigualdade entre mulheres e homens persiste porque ainda é necessário que sejam feitas mudanças estruturais na sociedade.

“Desde a responsabilidade das mulheres pelo trabalho do cuidado à mentalidade de cada empresa, que precisa entender que ela só irá ganhar tendo mais mulheres compondo sua força de trabalho, e com salários maiores”, disse a ministra. Os estados do Acre, Santa Catarina, Paraná, Amapá e São Paulo e o Distrito Federal registraram as menores desigualdades salariais.

Mais mulheres no mercado Os ministérios envolvidos na pesquisa destacaram como positiva a queda no número de empresas com menos de 10% de mulheres negras contratadas, de 21,6 mil para 20,4 mil.

“Houve um crescimento na participação das mulheres negras no mercado de trabalho. Eram 3,2 milhões de mulheres negras e passou para 3,8 milhões. Outra boa notícia é que aumentou o número de estabelecimentos em que a diferença é de até 5% nos salários médios e medianos para as mulheres e homens”, informaram as pastas.

Desigualdade estável

A porcentagem da massa de todos os rendimentos do trabalho das mulheres, entre 2015 e 2024, variou de 35,7% para 37,4%, segundo dados do MTE. A subsecretária de Estatísticas do Trabalho do MTE, Paula Montagner, avaliou que, apesar de as mulheres estarem mais no mercado de trabalho, o rendimento delas se manteve estável entre 2015 e 2024.

“Essa relativa estabilidade decorre das remunerações menores das mulheres, uma vez que o número delas no mercado de trabalho é crescente”, afirmou.

O número de mulheres empregadas aumentou de 38,8 milhões em 2015 para 44,8 milhões em 2024, crescimento de mais de 6 milhões de vagas ocupadas por mulheres. O de homens empregados cresceu no mesmo período em 5,5 milhões, chegando a 53,5 milhões no ano passado. Caso as mulheres ganhassem igual aos homens na mesma função, R$ 95 bilhões teriam entrado na economia em 2024, apontou o relatório.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Saiba os preços de soja no início da semana; negócios são lentos no Brasil

Fechamento da soja. Foto: Daniel Popov/ Canal Rural O início da semana foi marcado por…

Peixes sem origem legal levam à prisão de homem e apreensão de carga de 340 kg

Foto: divulgação/Polícia Militar de Mato Grosso Policiais militares da 1ª Companhia do Batalhão de Polícia…

Após protestos, governo revoga decreto de concessão de hidrovias na Amazônia | Brasil

O governo Lula anunciou que irá revogar o decreto nº 12.600 assinado em agosto de…