Após duas décadas, a aguardada continuação de “O Diabo Veste Prada” chega às telonas em maio de 2026. No trailer, lançado em novembro, o público acompanha um spoiler de que um luxo permanece em alto, mas sob uma nova ótica.
Com a passagem do tempo, o estilo ainda é uma das principais linguagem de poder na produção, no entanto, agora com uma pegada mais sutil, mais intencional e menos performática, é o que conta Janaina Souza, estrategista de imagem, à CNN.
“No primeiro filme, o figurino era um retrato fiel da era do glamour aspiracional, em que bolsas icônicas, saltos altos, brilho e peso das grandes marcas eram o grande foco. Era o auge do consumo como status e Miranda Priestly (Meryl Streep) era sua personificação”, diz.
“Andy Sachs (Anne Hathaway), por sua vez, viveu a clássica transformação de uma jovem comum que se rende ao universo editorial, adotando o uniforme do sucesso: Chanel e Prada”, adiciona.

Considerando as primeiras imagens já liberadas aos fãs, a profissional faz um balanço sobre o que a evolução dos looks revela sobre o novo luxo.
“Em 2006, Miranda era o retrato do luxo maximalista dos anos 2000. Casacos de pele, cinturas marcadas, joias exuberantes, saias-lápis, luvas, broches e sapatos de salto fino e bolsas estruturadas comunicavam autoridade por meio do excesso: cada peça comunicava hierarquia, exclusividade e domínio”, comenta.
Vinte anos depois, Priestly surge com silhuetas que continuam impecáveis, mas com tecidos fluídos e cortes arquitetônicos. “Sai o brilho literal, entra o brilho do acabamento perfeito. Tons de cinza, vinho e off-white substituem o preto absoluto de antes – que comunicavam uma linguagem bem dramática e totalmente distante”, acrescenta.

E o que retorna em Miranda?
Segundo Janaina, os destaques ficam por conta de três aspectos principais:
- A silhueta de comando, por meio de casacos longos, cortes retos, postura ereta;
- O uso estratégico do preto, cinza e do branco, cores que sempre comunicaram neutralidade e domínio;
- Olhar minimalista na maquiagem e cabelo impecável, marca registrada da personagem.
Já Andy Sachs começa o filme, em 2006, com roupas despretensiosas, tricôs largos, botas desgastadas, paleta neutra. Após sua metamorfose fashion, adota o uniforme das editoras da Runway: trench coats ajustados, boinas, acessórios maximalistas, saltos e peças icônicas da Chanel. De modo geral, ela se vestia para caber em um mundo que não era o seu, mas que de algum modo, gostaria de pertencer.
“Nas cenas recentes de bastidores, Andy aparece em alfaiatarias contemporâneas, tecidos tecnológicos e riscas de giz. O estilo é depurado, maduro, menos “revista de moda” e mais “marca pessoal”. É a estética da mulher que aprendeu a traduzir quem é e não quem esperam que seja. Agora visivelmente mais madura, Sachs incorpora uma moda funcional, acessível e elegante”, pontua.

E em Andy, o que volta?
- A alfaiataria moderna, que sempre foi o ponto de virada visual de Andy;
- O toque de vermelho, símbolo de coragem e energia, que reaparece em detalhes sutis (sapatos, batom, coletes);
- O olhar curioso e elegante, traduzido em roupas que ainda carregam um certo frescor.
De forma geral, duas décadas depois, o cenário é outro. “O luxo já não se mede pelo logotipo, mas pela curadoria. A mulher de 2026 é estratégica, sustentável e segura. Ela entende que imagem é comunicação e não imposição. O figurino reflete isso: menos tendência, mais identidade”, diz a estrategista.
“Mais do que uma sequência cinematográfica, ‘O Diabo Veste Prada 2’ parece traduzir o que os últimos 20 anos ensinaram à moda, ou seja, que estilo é narrativa e o luxo, hoje, é ter propósito até na forma de se vestir”, conclui.
