Basta algumas dezenas de páginas para Isaura perceber que ainda havia novas possibilidade de amor, quando conheceu Crisóstomo. (Se você ainda não viu o filme inspirado no livro, que estreou na Netflix, é melhor pular para o próximo parágrafo). “Ela sentiu que estava triste e feliz ao mesmo tempo. Ela perguntou: podes repetir? Ele disse: amo-te, Isaura. Subitamente metade das coisas pareciam compostas”, narra Valter.
Ivete parece ter passado por todas essas fases, a julgar pelo seu jeito de falar durante um show, na semana passada. “Às vezes a gente fica triste para cacete e vai estagnando ali numa situação… mas sempre vai haver uma saída”, ela diz. “Deus dá um tempo para a gente maturar as coisas e a vida não anda, ela capota. E, quando agente sai, sai vitorioso”, ela diz. “Emocionou-se por abraçar aquela mulher e acreditar que, aos 40 anos, a vida tinha finalmente aquilo de que precisava”, completa o livro de Valter. Tem mais vida, muito mais, por aí pela frente. Mas é preciso sair pela porta.
É o que chamo, para usar outra referência religiosa, de ressuscitar no terceiro dia. Dar tempo de viver a dor, mas uma hora ou outra levantar, como já falei aqui. A gente consegue, relata Ivete: “e é assim que vai ser com todo nós”, ela diz do palco. Alguém na plateia diz “amém”.
E assim que vai ser com todo mundo que, como a personagem Isaura no começo do livro, acredita que é preciso se conformar com felicidade pouca. A gente pode, sim, ter muito mais.
Amém.
Você pode discordar de mim no Instagram.