Por motivos diferentes, os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos estão na mira da política. Lá fora, Donald Trump instrumentalizou o departamento de Justiça para abrir uma investigação contra o presidente do Fed, Jerome Powell. O motivo é a reforma de US$ 2,5 bilhões no prédio da instituição, que já tem 100 anos e nunca foi integralmente renovado.
Discreto e técnico, Powell acusou o golpe. Em ato raro, gravou uma mensagem pública denunciando o objetivo da investida: pressionar a autoridade monetária a cortar juros. Mais um capítulo na escalada de pressão incessante do segundo mandato de Trump contra o banco central americano, que já nasceu independente, em 1913.
Ex-presidentes do Fed, como Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen, criticaram a intimidação, descrevendo a ação do governo dos Estados Unidos como típico de mercados emergentes com instituições fracas. O que está em xeque é a credibilidade do banco central mais importante e poderoso do mundo e o valor do dólar. Se o atual presidente, que tem data para sair – em maio – sofre esse tipo de pressão, o que dizer do próximo dirigente indicado por Trump? Seria o fim da independência de mais de um século, com repercussão incalculável para o sistema financeiro mundial?