Dez escolas de samba arrastaram multidões para a Passarela do Samba, em Corumbá, durante duas noites de desfiles realizadas no domingo (15) e na segunda-feira (16). Filiadas à Liesco (Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá), as agremiações começaram a se apresentar a partir das 20h30.
Cada escola teve entre 50 e 70 minutos para cruzar a avenida. O corpo de jurados foi composto por 16 integrantes, com dois avaliadores por quesito e um coordenador.
Foram julgados os quesitos samba-enredo, fantasia, bateria, comissão de frente, alegorias, mestre-sala e porta-bandeira, enredo, harmonia e evolução. As notas variaram de 8,5 a 10, com possibilidade de pontuação decimal.
A apuração das notas do Carnaval 2026 em Corumbá, que definirá a escola de samba campeã, será realizada na quarta-feira (18) a partir das 16h.
Unidos da Vila Mamona

Abrindo a programação, a Unidos da Vila Mamona levou para a avenida o enredo “Nhe’e Porã – O sopro sagrado que gera a vida: a mística tupi na criação do mundo”. A escola apresentou a cosmovisão indígena sobre a origem da vida, com referências a deuses, animais sagrados e forças da natureza, apostando na espiritualidade tupi-guarani e em forte simbologia ancestral.
A Pesada

Na sequência, A Pesada transformou a avenida em um grande livro de histórias com o enredo “Voar é com os pássaros, sonhar é com a Pesada. Uma viagem no sonho infantil”. O desfile percorreu o universo da infância, com personagens lúdicos, elementos circenses e uma projeção de futuro marcada por tecnologia e inteligência artificial. A narrativa acompanhou um adulto que revive memórias guiado pela avó em um sonho repleto de descobertas.
Unidos da Major Gama

A Unidos da Major Gama trouxe o Pantanal para o centro da cena com “Do invisível ao brilho, um futuro sustentável”. A escola destacou a importância da água, da natureza e da sustentabilidade, reforçando a necessidade de preservação do bioma pantaneiro.
Acadêmicos do Pantanal

Quarta a desfilar, a Acadêmicos do Pantanal apostou no universo dos jogos com “Embaralhe as cartas, gire a roleta, role os dados. A sorte está lançada”. O enredo percorreu a história dos jogos, do xadrez às cartas, dos dados aos games digitais, utilizando a metáfora do “jogo da vida” para abordar escolhas, estratégia, sorte e destino.
Caprichosos de Corumbá

Encerrando a primeira noite, a Caprichosos de Corumbá apresentou “No coração de cada lenda, reside uma verdade oculta esperando ser descoberta”. Inspirada na lenda indígena do Tamba-Tajá, a escola levou à avenida um desfile poético que misturou romance, natureza e espiritualidade, valorizando a tradição oral e o simbolismo regional.
Imperatriz Corumbaense

A Imperatriz Corumbaense abriu a segunda noite com o enredo “Da Herança aos Imperadores do Amanhã, o Baile de Debutantes da Imperatriz! 15 anos de carnaval!”. Com as cores branco, verde, vermelho e amarelo, a escola transformou a avenida em um grande baile simbólico para celebrar seus 15 anos de desfiles, revisitando enredos que marcaram sua trajetória no carnaval local.
Estação Primeira do Pantanal

Em seguida, a Estação Primeira do Pantanal apresentou “Entrelaços: Heranças Ancestrais”. Com cerca de 800 componentes, a escola destacou identidade, ancestralidade e resistência, evidenciando como as heranças africanas contribuíram para moldar a formação cultural do povo brasileiro.
Império do Morro

Atual campeã do carnaval corumbaense, a Império do Morro levou 750 componentes a uma viagem pelo inconsciente com o enredo “Entre Devaneios e Mistérios, a Vida é um Sonho”. A proposta partiu do encontro simbólico de um sonhador com Morfeu, o deus do sono, para refletir sobre a magia da existência por meio de elementos do imaginário e do universo onírico.
Marquês de Sapucaí

Já na madrugada de terça-feira (17), a Marquês de Sapucaí entrou na passarela com 550 componentes e o enredo “Patrimônio Africano. A influência de um continente pluricultural na cultura brasileira”. O desfile exaltou a África como berço de riqueza cultural, celebrando sua contribuição histórica, social e artística para o Brasil.
Mocidade Independente da Nova Corumbá

Última a desfilar, a Mocidade Independente da Nova Corumbá apresentou “Mocidade grita forte: Salve Tereza, rainha do quilombo, a voz da liberdade”. O enredo destacou a trajetória de Tereza de Benguela, liderança quilombola símbolo de resistência e luta contra a opressão colonial e o racismo, reforçando a importância de sua memória para a história brasileira.
